séries

——————————————————————————————O Mundo das pequenas coisas.

Parte I. 2008. 16 imagens

©AnaPereira

Tenho alguns retratos antigos que fui guardando, imagens da família perdida no Brasil, imagens de desconhecidos que comprei em feiras de velharias e outras que açambarquei por meios menos lícitos.
Antes da minha vida se cruzar com a fotografia para nunca mais se ir embora, estas imagens já me acompanhavam.
O passado interessou-me sempre mais do que o presente e obviamente muito mais do que o futuro.
Demorei anos a tomar consciência de que no passado existia cor, sim para mim o passado era a preto e branco e sépia, mesmo a realidade do dia-a-dia.
Pensava em como os rostos dos homens, mulheres e crianças foram mudando, tornando-se mais leves.
Depois com a fotografia entendi que uma parte desse peso que eu via nos rostos do passado, tinha mais a ver com os processos fotográficos usados e os tempos de exposição do que com as agruras da vida e alterações antropomórficas.
Desde que descobri o trabalho do Joel-Peter Witkin e da Sarah Moon, no final dos anos 90, que me persegue a ideia de pintar um fundo como os destas imagens antigas e andar com ele pelas ruas do mundo a fotografar pessoas.
O Geo fez-me este fundo e decidi começar esta série de retratos, ali mesmo, na minha sala.
Tecnicamente interessava-me explorar o trabalho de retrato, frontal, pose clara.
Trabalhar com o maior número possível de pessoas, o mais diferentes entre si e de mim e trabalhar a aproximação com as pessoas e o retrato.
Depois interessava-me trabalhar a manipulação digital.
E penso no que o Fabio Iaquone me disse uma vez: quando tiveres uma ideia, executa-a logo, sem esperar, sem olhar para trás, porque as ideias circulam numa rede global e o que faz com que o teu cérebro despolete o pensamento que te vai levar a determinado resultado, é o mesmo e incompreensível facto que fará com que mais alguém, noutra parte qualquer do mundo, mais tarde ou mais cedo produza a mesma ideia.



 

————————————————–O Mundo das pequenas coisas. parte II. 2009. 8 imagens ©AnaPereira

Procuro neste projecto uma aproximação à tradição fotográfica da carte-de-visite, prática comercial fotográfica do final do século XIX, caracterizada em particular pelas poses marcadas dos retratados e pela utilização de fundos que remetem o nosso olhar para um ideal de paisagem pictórica e de vida exterior ao estúdio.

Em Rio de Frades, realizei dois conjuntos de imagens, um de retrato sob um fundo branco e outro conjunto de imagens representativo de uma visão de paisagem, de forma a posteriormente realizar um compósito de retrato e paisagem.
Trabalhei tanto a paisagem rural como a paisagem abandonada do antigo couto mineiro de Rio de Frades, localizada na freguesia de Cabreiros, local onde foram demarcadas as primeiras minas de volfrâmio em 1914.
Logo na primeira visita à aldeia, entendi que a população desta povoação dividia-se em dois grupos distintos, um grupo que tinha trabalhado nas minas e outro grupo que não e com esta demarcação populacional em mente, fiz a construção das minhas imagens.
No caso das pessoas que trabalharam nas minas, Dª Aurora, Srº José, Dª Argentina e Dª Alzira a imagem final que apresento é um compósito do retrato com uma paisagem actual das minas desactivadas, no caso das pessoas cuja vida profissional não passou pelas minas, uno o retrato a uma paisagem da aldeia de Rio de Frades, a saber Dª Lina, Dª Isaura, Dª Anabela, Dª Fernanda e Dª Adelaide.


 

–O Mundo das pequenas coisas- Imagens de um presente em pausa. Porto 2010. 20 imagens ©AnaPereira

Quem somos nós hoje e que rosto temos?
Uma nova urbanidade desponta na cidade, caracterizada por uma maior convivência étnica e a coexistência de classes sociais distantes, numa cidade com laivos de ruralidade, tendo a periferia um peso essencial na construção da identidade, social e cultural.
Este trabalho visa analisar como pode a fotografia tratar os mesmos temas que as ciências sociais e humanas, criando um corpo de trabalho que acompanha a evolução da história do estúdio fotográfico recorrendo ao processo da carte-de-visite.
Tendo estas questões como linhas orientadoras, realizei um projecto de retrato que aborda as questões da diversidade étnica e social no seio da cidade do Porto, recorrendo a uma estrutura formal que advém da carte-de-visite.




 

—————————————————Garbage Story’s. As histórias românticas do lixo. Parte 1. 2006. ©AnaPereira

Abandonamos os objectos como as pessoas, às vezes com calma, às vezes friamente e, por vezes, sem perceber que o fizemos.

Não somos capazes de transportar ao longo da vida todos os objectos que nos rodeiam e por isso, vamos preterindo uns a seguir aos outros, como os brinquedos que as crianças deixam para trás a cada novo que chega.

Estes objectos de lixo que encontro na rua, aparecem sempre isolados, como se alguém os tivesse ali pousado, ali naquele sítio especifico.

Quase como se o mundo se organizasse em torno deles, deixando sempre um vazio, vasto e estranho em torno de tudo o que é deixado para trás.


 

Garbage Story’s. As histórias românticas do lixo.Parte 2. 2010

Estender o enquadramento fotográfico, de forma a chegar a um contexto geográfico, não mais uma abstracção pictórica, minimal e romântica.

De forma a entender como estes objectos-lixo se relacionam com a cidade.


 

————————————————————A tela de uma história que não se acende. 2008.20 imagens

©AnaPereira

A propósito do trabalho do Teatro Bruto Alter-Ego, fui procurar as salas de cinema da cidade do Porto, algumas actualmente encerradas ou com actividades paralelas à exibição de filmes.

Procurar as imagens, os fantasmas, as memórias e particularidades de cada sala.

Abertas as portas e acessas as luzes, a vida volta a encher estes espaços, como aquelas cenas dos filmes em que se acende a luz do parque de festas e lentamente começa a ouvir-se o som dos carrosséis e das pessoas ao fundo.

Sentem-se os cheiros, são visíveis as marcas das histórias que se viveram, nas imagens, nos recados, nas fotografias, em todas as provas de memória.

E estes momentos em que estou a fotografar, são apenas pequenos intervalos de tempo, entre sessões, entre filmes, entre histórias.





——————————————————————————————————–Mobile daisy ©AnaPereira

Comecei esta série a que chamei Mobile Daisy, numa altura em que ainda só existiam projetos no meu trabalho, há 6 ou 7 anos.

Comecei-o como carta de amor digital e serviam para exorcizar a saudade que sentia dele nos meus dias.

Usava a câmara do telefone, sempre foleira e era isso que me interessava.

O ruído, a fragmentação, o descartável, a coisa ao mesmo tempo única, essencial e plástica, pronta a usar e deitar fora.

Um caderno de anotações móvel, visual e digital. A que depois fui adicionando palavras, que lhe foram dando outros sentidos.

As imagens são um meio poderoso de pensar a realidade e as palavras um meio conclusivo de a entender minha.

Mobile daisy é um caminho para apreender o que é.

O mundo lá de fora e o cá de dentro, que são sempre um só.

O nosso. O de cada um.

Mobile River. 2011/2012

Mobile Dout. 2012

Mobile Daisy. 2012

LostAna.2012

Maria Fumaça. 2012

MobileNow.2012

Mobiledaisyoutubro.2012

MobiledaisyLx.2012

Mobilecrash.2012

MobileMonogatariMu.2012

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