Fronteiras

Exposição de fotografia do curso de comunicação audiovisual, Escola Artística Soares dos Reis do Porto.
#FEST – New Directors New Films Festival
18 a 25 junho 2018

” Não sei nada de fronteiras. Só das que nos impedem de compreender o outro. E sei a fronteira intransponível que se ergue entre a imagem e a escrita, venha lá que paradigma pós-moderno vier.
Na fotografia, quais são os limites territoriais? As línguas e identidades que se distinguem?
Penso os géneros fotográficos como a categorização primordial, numa diferenciação entre o natural e o social.
A paisagem, enquanto discurso fotográfico, tem na pintura a génese do seu manual de orientação estético, numa representação ao encontro do pitoresco e do sublime. No tempo presente, o discurso deste género busca as significações sociais, políticas, económicas e ideológicas que a pós-modernidade trouxe à discussão artística. Experienciamos como postal visual o mundo dos não-lugares, do tecido urbano repleto de conflitos, mas partilhamos interiormente um ideal de representação, que nunca vivemos em primeira mão ou que está atualmente quase erradicado do mundo real.
No traçado do retrato, a fotografia ajudou científica e artisticamente à elaboração de um mapa do rosto humano, na sua diversidade biológica, étnica e cultural. Mas como irá mapear os novos rostos que a ciência começa a desenhar? Estas faces construídas ao abrigo de um ideal que procura a materialização de um ser à imagem do seu criador, assumindo a humanidade o papel reservado, até agora, às divindades do mundo não-laico.
A relação da fotografia com a pintura, foi sempre a de uma paixão atribulada. A definição ontológica da fotografia enquanto arte foi concretizada no pictorialismo fotográfico pela aproximação às definições de género e às abordagens formais da pintura, tendo posteriormente confluído para o formalismo, que buscou a circunscrição da essência fotográfica à sua própria especificidade técnica. Mas com a pós-modernidade, o significado e valor de qualquer imagem passou a ser determinado também por todas as condições que materializam o seu contexto de produção.
Olhando para as imagens que englobam esta exposição, penso nestes autores e na forma como descrevem, entre as anteriormente estanques linhas divisórias, o mundo e as suas travessias pessoais.
Emerge um profundo discurso sobre a paisagem, na qual o corpo humano é matéria essencial do mundo natural. Nos retratos, o olhar e a identidade humanas desaparecem no meio de uma entidade digital dominadora. Espaço também para o diálogo com a pintura, na criação de uma entidade coletiva, social e cultural, estando preservada, mais uma vez, a sua intimidade humana. É também desenhada a ponte entre o presente urbanístico e uma linguagem herdeira da tradição construtivista, assim como a busca de uma concepção pictórica tendo por base a fotografia arquitectónica.
Ao contrário do que a massificação das representações digitais faz temer, o surgimento de um espelho narcísico global e superficial, revejo nestas imagens uma aspiração poética e metafísica, de sentido e de pertença.
Mergulho num intervalo de espaço e tempo onde humanidade, história e natureza surgem unas.”

Curadoria e produção: Joana Castelo e Marta Curtis- Departamento de Comunicação Audiovisual -EASR

Texto: Ana Pereira


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