Andrea

AP-Andrea02.jpgTem uma voz calma e funda.
No pequeno palco do auditório da ‪#‎FLUL‬ a Andrea vai vestindo a sua Super-Artista Incógnita.
Com elementos caraterísticos de um superherói e adereços que definem a identidade da sua Super-Artista e que remetem para a tradição folclórica-étnica portuguesa, colares e cintos ortopédicos elementos de um imaginário fetichista e indicadores de uma coluna problemática, capa esvoaçante, pernas contemporâneas ao léu e óculos protetores da identidade e dos insetos.
Ao mesmo tempo que a Super-Artista Incógnita toma corpo, a Andrea vai nos mostrando os retratos e o processo por detrás do projeto À prova de fogo e de bala.
Trabalho que desenvolveu nos Açores em 2008, com dois grupos de mulheres. Um projeto multidisciplinar, participativo que passava pela criação pelas participantes, das suas personagens de superheróina, desafiando os conceitos do superherói, perfeito e ideal.
” A arte tem esta componente de grito, de transmutação da realidade.
Mas também de possibilidade de liberdade, de sermos quem quisermos, tal como as crianças.
A arte para mim sempre foi algo instintivo, a construção e desconstrução de coisas, das coisas. Sabia que quando crescesse, teria que ser feliz com o que fizesse, com o meu quotidiano! ”
O caminho até agora tem sido o da experimentação.
AP-Andrea07.jpgA fotografia veio por via dum amigo dos pais ainda na infância; um programa de rádio que fez na escola secundária levou-a a ser vocalista de uma banda de punk e outra de trash punk e dessa mistura assustadora entre o desafio de estar em palco e da sua timidez, a performance foi-se forjando, assim como com o grupo de performance Cabeça e cabelos que surgiu na universidade, na ‪#‎ARCA‬, onde estudou pintura.
Mais tarde fez um curso de cenografia em Madrid e uma pós-graduação em banda desenhada e ilustração no ‪#‎IADE‬. Fez ainda uma pós-graduação em Culturas e Discursos Emergentes: da crítica às manifestações artísticas pela ‪#‎UNL‬ & ‪#‎FundaçãoCalousteGulbenkian‬.
” Sempre tive a preocupação de como fazer chegar a obra ao público?
E nesse sentido o livro e a perfomance são o formato ideal.
Penso que hoje em dia cheguei ao ponto em que já identifiquei a matéria do meu trabalho, que passa pela fotografia, pela cenografia, pela performance, pelo improviso.
Trabalho sobre o que está a minha volta e que me toca, me inquieta. E que acaba por tocar várias outras pessoas. As questões de identidade e de género, sim.
Mas não só. Gosto de colaborar com outras pessoas. De me deixar contagiar pelos processos de trabalho, temáticas e angústias dos outros.
As super-heroínas açorianas, levaram-na agora a colaborar com a investigadora Alison Laurie Neilson no ‪#‎CentroEstudosSocias‬ de Coimbra, num projeto que interliga os Açores, as ciências sociais e as práticas artísticas.
“Interessa-me muito o trabalho com a comunidade e quero continuar a partilhar, oferecer esta possibilidade de transformação do real que a arte é!”
O seu último trabalho Chão de Artista é autobigráfico.
“Um projecto-vida que expõe a condição do que representa ser artista, ou um cidadão desempregado/precário nos dias de hoje.
No processo de procura de trabalho, comecei a achar que era tudo muito performático. Ia fotografando e tirando notas, num processo que demorou dois anos, com entrevistas em companhias aéreas, restauração, hotelaria….”
Percebeu que funcionava a dois tempos, era autobiográfico, mas falava dos outros também, de nós, da nossa sociedade, do presente.
“Penso muito na arte como arma. De defesa. De resposta.
Há algum tempo atrás, li um texto que apontava esta questão afirmando que toda a obra de arte é um crime não cometido!”
Falamos do mercado da arte, da validação dos pares, do processo de trabalho.
“Tento e espero que o meu trabalho seja reconhecido pelas características que considero dignas.
Faço investigação prática, acho a teoria muito interessante mas o estético e a materialidade da obra para mim, continuam a ser o mais importante.
A obra de arte tem de conseguir falar por si!
Tem de fazer isso comigo, eu tenho de olhar e sentir-me a transbordar!”
Falamos ainda da virtualidade, do mundo das imagens e do ego.
“Quando edito imagens dos meus projetos, foco-me nas intenções do trabalho e assim lido com qualquer tentação do ego.
No mundo online divulgo exclusivamente o meu trabalho.
A vida pessoal, é para ser vivida, pessoalmente !”

AP-ANdrea09.jpgO trabalho da Andrea Inocêncio:
http://www.andreainocencio.com/

Imagens e texto © MademoisellePhoto
Lisboa fevereiro 2016

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