Inês

AP-Ines27.jpgViro à esquerda por engano e sento-me certa no banco de madeira.
Vejo as meninas da padaria que falam contentes dos moços, os comerciantes apressados em final de almoço, algumas latifundiárias urbanas e alouradas.
Atravesso a avenida ao seu encontro.
Luz pelas janelas, flores, espelho, fotografias. Branco, amarelo, roxo, janela, branco. A Amália em muitas imagens.
“Foi a nossa única diva!” diz-me.
A Inês nasce em Lisboa, mas ainda pequena vai para o norte com os pais.
Ficam em Mindelo, na Vila.
Na adolescência, o irmão que já era jornalista, chama-a a fazer testes na rádio: “Tu que tens boa voz… Até hoje penso nisso, como é que ele percebeu isso tão cedo. Eu tinha 16 anos.”
Nunca mais deixou de fazer rádio, primeiro em Vila do Conde, depois no Porto.
Aos 18 anos, divide o tempo entre o curso de interpretação no ‪#‎Balleteatro‬e a emissão na ‪#‎RádioNovaEra‬.
Um ano mais tarde, a convite de ‪#‎JoséAlbertoCarvalho‬, entra para a ‪#‎TSF‬onde fica doze anos.
Aos 22 anos regressa a Lisboa.
AP-Ines22.jpgPergunto-lhe pela transição de cidades.
” No início custou-me bastante, a dimensão da cidade deixa-te desprotegido. Numa fase que devia ser de integração, aconteceu tudo ao contrário. Mas depois, conheci cada vez mais pessoas. Fui para a ‪#‎XFM‬, comecei a fazer televisão e nunca mais parei.
A partir do momento em que entrei na ‪#‎RADAR‬, começou a acontecer-me tudo, especialmente depois do programa ‪#‎FALACOMELA‬. Já o faço há dez anos.
No início foi tudo muito invisível, não tinha ideia para quem fazia, mas era parte de mim, eu queria conhecer aquelas pessoas.”
Pergunto à Inês como define o que faz.
” Não defino. Estou disponível para fazer coisas.
Quero fazer rádio e quero escrever também.
Eu gosto da escolha das palavras, é muito importante para mim.
Apercebi-me muito cedo do poder das palavras, são tudo, sim!
Na rádio, ainda podes criar mistério se quiseres!
Com liberdade, sem desfile de lugares-comuns. Tentar fazer a diferença, com pouco sim, mas tentar!”
Revemos tudo o que faz.
AP-Ines11.jpgEmissão live na #Radar, todos os dias das 10h às 13h.
” Ir todos os dias fazer emissão é uma salvação (prazer) constante, todos os dias me faz sentir coisas diferentes e acredito no efeito contagiante da vida.
Tens que estar disponível para isso e é um desafio constante caramba! De fazer, de fazer acontecer…”
Semanalmente faz o #FALACOMELA, um programa de entrevistas “onde recebo as pessoas e elas se sentem à vontade para dizer o que quiserem. Praticamente tudo, não é? ”
Faz também o ‪#‎PBX‬ com o multitask Pedro Mexia: ” uma parceria com o‪#‎Expresso‬ e que é muito interessante. Um jornal-rádio.
O Pedro é muito completo e tem sido um desafio para mim.”
Todas as semanas faz também a entrevista ‪#‎As10questões‬ para a revista do #Expresso e há oito anos que diariamente faz o programa O Amor é…, com o sexólogo Júlio Machado Vaz, na ‪#‎Antena1‬.
AP-Ines25.jpgEscreve também na imprensa sob pseudónimo há 12 anos.
” Tens que dar tempo para as coisas consolidarem.
É um problema atualmente, a procura de compensações imediatas.
Vivemos numa sociedade em combustão e intoxicada a vários níveis, de números, de sofreguidão mediática.
Penso que é preciso semear para colher, eu toda a vida fiz isso.
O meu motor é a curiosidade, cada dia é diferente. E todas as pessoas me interessam, do rapaz do supermercado, ao intelectual diletante.
A vida está sempre a acontecer, tens de estar atento, tens de seguir.
É um filão inesgotável!
A música, todos os dias saiem músicas novas, todos os dias temos um despertar diferente.
Não me farto realmente de nada percebes? Só dos lugares-comuns.
E levo muito a sério o meu trabalho, quero ser boa no que faço, embora às vezes seja quase displicente em relação às coisas.
Mas o trabalho é quase uma salvação para mim. ”
Pergunto à Inês se o ego a embala em dúvidas. Diz-me que não.
“Trabalho desde os 16. Non-stop.
Tens é que estar disponível para os sinais que o universo te dá, não virar as costas. Tenho uma vida bastante sóbria, fora esta recompensa do trabalho.
Com a idade fiquei a gostar cada vez menos de folclores.”
Diz-me que é vaidosa, mas pouco dada à feira de vaidades.
” É preciso aceitar o que nos acontece e seguir em frente!”
Antes das imagens, pergunto-lhe como vê hoje em dia a questão do feminismo, que espaço tem nas nossas vidas?
” Não me considero feminista reinvindicativa, mas acho que o processo ainda está a meio e não me permito a julgamentos. Eu faço o que eu quero!
Para muitos dos meus amigos mais novos, há questões que já nem se colocam. Eles põem as cuecas das namoradas a secar, não é?”

AP-Ines26.jpg

Lisboa, janeiro 2016
Imagens e texto © Mademoiselle Photo

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