Djaimilia

MP-Djaimilia00Acabo de ler o Esse cabelo‬, no sábado de chuva em que nos encontramos.
A ‪‎Djaimilia nasce em 1982, em Angola.
Aos três anos, Lisboa já é a sua cidade.
A Angola irá voltando com regularidade nas férias.
Em criança, os contos de encantar davam-lhe matéria de leitura e de desenho.
Na adolescência, aventura-se noutras literaturas, leituras essas que se adensam na universidade.
Primeiro, estuda Literatura na ‪#‎UniversidadeNova‬ e mais tarde no‪#‎ProgramaemTeoriadaLiteratura‬ da ‪#‎UniversidadedeLisboa‬.
“Fui sempre escrevendo para a universidade. Mas só depois de terminar o doutoramento, em 2012, comecei a tentar outros caminhos.
Foi o processo de recuperar o que tinha sido o meu interesse inicial pela literatura.
Comecei a interessar-me por assuntos relacionados com África.
Essas pesquisas fizeram-me pensar de forma um bocadinho diferente sobre o meu próprio passado e a história da minha família.”
MP-Djaimilia08Falamos da ótima receção ao livro, tenho curiosidade de saber como se sente e que peso tem no caminho futuro: “Não poderia antever, fiquei muito surpreendida e feliz.”
Fala-me de como preza a opinião das pessoas que lhe estão muito próximas.
“O que eu sinto é que tenho todo o tempo do mundo e que sinto sobretudo a pressão que eu própria ponho sobre o que eu faço.
O que me levou a escrever o Esse cabelo tem pouco a ver com a literatura.
Dos motivos pessoais, talvez o mais confessável tenha sido o ímpeto de participar numa conversa que não se estava a passar à minha volta na literatura mas, por exemplo, na internet em torno de uma série de raparigas que eu sigo há algum tempo: ativistas que partilham coisas aparentemente tão fúteis como dicas de beleza sobre cabelos, mas que tiveram em mim um impacto muito grande.
E o Esse Cabelo é a minha forma de participar nessa conversa.”
Confesso-lhe a minha imagem romântica do escritor à janela de volta da máquina de escrever e pergunto-lhe sobre o seu processo de trabalho: “Tenho muitas ideias, mas é um processo lento.
Quase como fazer trabalhos manuais.
Escrevo todos os dias, notas, apontamentos e coleciono muitas pequenas coisas.
Tenho-me vindo a forçar a ser uma colecionadora disciplinada!
E o que surgir (um novo livro) virá destas pequenas coleções.”
Ao encontrar a Djaimilia, encontrei também a ‪#‎FormadeVida‬.
Revista de humanidades, ideias e literatura: “A nossa ideia era tentar fazer chegar a um público mais alargado textos e ensaios sobre temas literários.
Não há nenhum tipo de missão, fazemos porque gostamos.”
Na Forma de Vida, as imagens são lindas e autónomas na sua identidade.
“O departamento em que estudei, e ao qual entretanto a revista passou a estar ligada, incentiva interesses cruzados.
MP-Djaimilia12Há quem estude teatro, filosofia, literatura, fotografia e a Forma de Vida espelha esse cruzamento temático e visual.”
Antes das imagens, falamos ainda da cidade:
“Estou cada vez menos urbana.
E às vezes, ao final do dia, o tempo que demoro a regressar a casa faz-me pensar que estou a entrar de férias.”
MP-Djaimilia15Ao longo dos dias, vou ouvindo ainda a voz a cantar:
“…cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada/ quem disse que cabelo não sente/ cabelo vem de dentro/ cabelo é como pensamento/ quem quer a força de Sansão/ cruzado, seco ou molhado…”

A Djaimilia
A Forma de Vida
©Imagens e texto MademoisellePhoto

#djaimiliaalmeida

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