Patrícia

AP-Patilow04Encontramo-nos ainda de madrugada.
Penso nos cadernos que acompanhavam a Pati, pequenos e preenchidos com letras certinhas e nos vídeos documentais que lhe descubro agora, cheios de poesia e delicadeza.
Na viagem de carro até Ourém, colocamos vinte anos em dia para o texto.
Os retratos combinamos fazê-los sem pose, em contexto de filmagens.
Os seus primeiros passos em família ligam Portugal, Angola e depois Alcobaça.
Tira a licenciatura de Relações Internacionais em Braga e o início da sua prática profissional é enquanto jornalista.
Para completar a formação, faz o curso geral de jornalismo no ‪#‎Cenjor‬.
Ainda regressa a Braga, mas seis meses depois está de partida, com uma breve passagem pela nossa Alcobaça.
Responde a um anúncio que pedia jornalistas para uma televisão.
Passa os exames e assim começa a sua relação de 17 anos com a RTP.
Estamos em 1997.
Teve diversas experiências dentro da informação, mas as média e grandes reportagens para o programa Bombordo e a visão documental, com tempo e cuidado tornaram-se essenciais para a Pati.
Numa das restruturações da RTP, estas produções deixam de ser feitas internamente e esse é o seu ponto de viragem profissional.
Em 2004 faz a parte curricular do mestrado em Antropologia, especialidade em Globalização, Migrações e Multiculturalismo, no ‪#‎ISCTE‬.
AP-Patilow08Começa a ter a certeza da importância da imagem na sua vida:
” Percebes que andaste sempre atenta aos aspetos visuais da vida, das fotomontagens da adolescência, aos cursos de fotografia na universidade.”
E a edição que descobre na televisão: “fiquei maravilhada com a forma como se podia contar histórias assim.”
Depois vem o mestrado de antropologia visual em Manchester; o melhor dos dois mundos, a antropologia e a imagem.
“Foi um ano maravilhoso, tudo o que eu queria!
Aprendi imenso, estava rodeada de pessoas que falavam a mesma linguagem que eu.
Devido à minha prática de jornalista, sentia cada vez mais necessidade de trazer do terreno o meu olhar e a antropologia orienta-me nesse terreno donde trago o meu olhar.”
As disciplinas práticas, imagem, som, edição foram muito importantes.
Ao regressar de Manchester, ainda teve alguma expetativa que pudesse utilizar o que tinha aprendido na RTP, mas isso não aconteceu.
AP-Patilow22” Trazia de Manchester um programa de edição da ‪#‎AVID‬, que tinha ganho como prémio de final de curso. E mal comprei a minha câmara, comecei a fazer as minhas coisas.”
Surge nessa fase (e mantém-se) a colaboração com o Mário Linhares.
Fizeram um documentário na Guiné Bissau, assim como diversos encontros da comunidade internacional ‪#‎UrbanSketchers‬.
E que lhe apresentou o Miguel Cordeiro.
“Muitas vezes estou a editar imagens e já começo a pensar em momentos onde a música do Miguel pode entrar.”
Na prática visual da Pati, desenham-se dois tipos de abordagens: os documentários etnográficos e os vídeos.
“No documentário etnográfico trazes o teu olhar o mais limpo possível e quando há musica é porque vem do local, da história que estás a contar.”
As histórias muitas vezes constroem-se com base na contingência do tempo.
O tempo que dispomos, a história que há para ser contada e como se desenvolve esta interação.
” Antes de começar tenho uma ideia geral do que se vai passar e do que é possível filmar.
Muitas vezes no terreno as situações alteram-se e dão-nos outras coisas.
Acho que estas sortes são a riqueza deste trabalho!
Quando eu as consigo aproveitar. (ri-se)”
Na edição, as imagens vão-lhe devolvendo uma linha narrativa.
Falamos do documentário que realizou sobre as mulheres de Pias e a tradição dos jordões, sobre a entrega face ao que fazemos.
E da riqueza deste trabalho para a Pati, devido à relação com todas as mulheres que participaram: a Maria, a Mariana, a Maria Clara…
Estreou o filme este ano no São João em Pias.
“Eu, o Arthur e a Mariana montámos um ecrã no jardim público de Pias para exibir o filme e estiveram presentes todas as intervenientes.
Só assim faz sentido, quando as pessoas se revêm no trabalho que fizeste com elas. ”
AP-Patilow18Quando regressou de Inglaterra sentiu a necessidade de ter um espaço online para divulgação profissional e assim surge a sua produtora:
“Desde pequena sempre tive caixas cheias de memórias e recordações dos bons momentos. Achei que ‪#‎ShoeBox‬, a pensar nos meus colegas e amigos do mundo, fazia todo o sentido!”

Para ver o trabalho da Pati: www.shoebox.pt

© texto e imagens MademoisellePhoto

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