Oficina de costura criativa

Mademoiselle Oficina de Costura Criativa pelas MademoisellePhoto
A Ana desde criança dizia querer ser estilista.
No final do 12º ano parou para entender o que queria mesmo fazer.
Experimentou um curso de pintura e um de costura, entrou em design de moda, mas decidiu concentrar-se na costura a 100%.
Desde sempre que pedia a avó para usar a máquina de costura e desenhava a marcador os fascículos de moda.
A Inês também os desenhava, mas costurar aconteceu mais tarde.
Depois do 12º ano quis entender o que queria para o caminho em frente.
Entrou num curso de corte, costura e modelismo, percebeu que era mesmo aquilo e conheceu a Ana.
Uma amiga do curso convidou-as a fazer parte do atelier de costura que tinha criado no núcleo criativo da junta de freguesia de S. José
Na costura o corte é fundamental, se não souberes a forma correta de cortar as coisas, nunca vais conseguir fazer nada! – dizem-me.
Hoje em dia a Inês até brinca comigo- diz a Ana- porque normalmente ninguém gosta, mas das coisas que gosto mais de fazer são os moldes em papel!
“Aqui fazemos as duas o mesmo, com divisão de trabalho naturalmente, mas que tem a ver com a sequenciação decorrente de quem começa primeiro o trabalho.”
A oficina existe enquanto espaço de formação, semanalmente dão aulas às terças e quartas e todos os dias são dias de entrada.
Têm alunas dos 12 aos 84 anos, pessoas de todas as áreas, essencialmente mulheres, sim.
Vêm aprender costura, relaxar e costurar, construir um guarda-roupa, ocupar o tempo, é difícil apontar uma só razão.
12072582_1485021511801310_6419293169758021339_n

A Oficina é também atelier de costura por medida.
“Nos outros dias, fazemos as encomendas: arranjos, roupa por medida, vestidos de noiva. Trabalhamos também com algumas produtoras que nos pedem peças para publicidade, teatro.”
Pergunto-lhes se o atual panorama económico trouxe pessoas de volta à costura.
À costura e não só – aponta a Ana.
Existe também a questão da moda, das tendências e sim, há um retorno à manualidade em geral e ao que é possível e passível de ser homemade.
A Ana e a Inês têm também a sua marca própria a OFICINA que estão a tentar explorar.
E o tentar só é proporcional ao tempo que dispõe livre para o fazer.
” Estamos em experimentação na nossa coleção, ver o que funciona, como funciona, porque também é um investimento e nesse sentido é necessário entender o retorno.”
Faz um ano em novembro que estão aqui no novo bairro.
E o aqui foi um bom acaso: “este espaço estava à nossa espera, numa localização mesmo boa e só nosso.”
Na lista de tudo o que têm para fazer há muita costura para acabar; noivas para fazer; continuar a trabalhar nas peças da OFICINA; trabalhar cada vez mais para costurar por medida.
” Somos modistas e queremos ser cada vez melhores costureiras, queremos estudar mais, aprender mais.”
Às vezes penso – diz a Ana- ainda és muito nova, ainda te falta crescer muito, aprender muitos truques.
E sim, sentem falta de uma mestre.
É assim mesmo que se chama e que bonito que soa!
” Há coisas que se não te ensinam, nunca vais saber.
Tens que aprender com as pessoas que sabem.
E naturalmente, tu que andaste anos a desenvolver a tua técnica, guardas os teus truques como segredos de ouro.
Que passas assim baixinho, em segredo.” – diz a Ana.
“Eu tive uma amiga com quem trabalhei, que sabia muita muita coisa, fazia chapéus, forrava sapatos, tudo e ensinou-me muito.
Trabalhava no teatro do Barreiro, na área de figurinos e adereços.
Era um poço de sabedoria, um olhar!”
O trabalho a duas, é um trabalho de cedências; como em qualquer relação.
Têm um objetivo comum que as move e pensam no coletivo, com bom senso.
É preciso trabalhar e se corre mal ” não vais para casa, vais pensar em soluções, trabalhar nelas e depois vais para casa.”
A costura como forma de expressão criativa, gosto de a ver dessa forma – diz a Inês- e contrariar algumas imagens-cliché.
Há uns anos quando me perguntavam:
“Então o que é que fazes?
Sou costureira!
O feedback era sempre:
“Ah (pesaroso) trabalhas numa fábrica.”
E agora é:
“Então o que fazes?
Sou costureira.”
Uau, também quero fazer roupa!
É tão giro.
Mudou muito o estigma da costureira!” – concluem!

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s