Rita

A Rita pelas Mademoiselle Photo

Pela penumbra da porta vejo-as à minha espera.
A Rita, linda fada da floresta trazendo ao colo a Gabi de caracóis lourinhos com estrelas na saia .
Andava ainda no curso de ‪#‎TCAV‬ da ‪#‎ESMAE‬ quando descobriu as aulas de dança oriental, ‪#‎RaqsSharqi‬– as danças do oriente, com a professora Prisca.
“Tinha andado na capoeira e atraía-me o círculo, o movimento, a música ao vivo. Mas sentia necessidade de ouvir falar do corpo de uma outra forma, mais orgânica, espiritual e descobri na dança oriental esse discurso!”
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A dança oriental tem origem no Egipto (danse du ventre é a expressão criada pelos franceses quando encontram estes movimentos nas invasões do corso Napoleão) e foi sofrendo diversas influências.
Da diáspora cigana entre a India e a Europa, a todas as variações existentes em Marrocos, no Egipto, na Índia; passando pela descodificação dos movimentos pelas bailarinas americanas no séc. XX e a inclusão do folclore e do ballet na transformação da dança oriental em dança de palco.
Anos depois de ver o filme ‪#‎LatchoDrom‬, a Rita foi aprender essa mesma dança ‪#‎Kalbelia‬ no ‪#‎Rajastão‬.
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Durante um mês esteve com uma famíla cigana, a ter aulas diárias com dois músicos e uma bailarina.
E participava no quotidiano, cozinhar, ir buscar água, tomar conta das crianças e ver como chegam à dança.
Por observação, por verem a mãe dançar.
” Vês as crianças a fazer os giros – um dos movimentos essenciais desta dança- e vê-los a girar, a girar e ninguém diz para pararem que senão vão cair. Vão girando, girando!”
No início- diz a Rita- quando comecei, não pensava que a dança ia tornar-se a minha profissão e as aulas tiveram também esse lado terapêutico, de desabrochar e desfrutar daqueles momentos com as minhas amigas.
Com algumas das quais trabalha até hoje.
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Sou freelancer, sempre trabalhei com grupos de música do mundo, formações árabes, ciganas e de fusão!
Em diferentes tipos de eventos culturais!- afirma a Rita.
“Os processos pelos quais passas, são os mesmos em todas as expressões artísticas… lidar com a confiança, a insegurança, lidar contigo e com os outros.
Vais estudando as danças orientais e encontrando muitas práticas interessantes – ioga, meditação, dança sufi- é sempre um processo de conhecimento, de nós, do nosso caminho.
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E depois o outro lado, da comunicação. O ir ao encontro do outro.
No dia-a-dia tenho um lado mais reservado, tímido, mas a dança traz-me sempre alegria!
Eu sinto isso, sim, é uma metamorfose!
Para mim é a música que me inspira, que me dá alegria e energia!”
Foi a Marrocos à procura da música gnaoua.
E encontrou uma família de músicos, descendente da áfrica subsariana, de onde se julga ser originária a música gnaoua.
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Mais tarde regressou novamente a esta familia, para aprender mais!
Aponta-se frequentemente a ligação de origem da dança oriental a rituais de fertilidade, de parto.
Segundo a Rita, um conjunto de hábitos e tradições, sociais e culturais levou a que no ocidente estejamos muito desconectados com o nosso corpo, no qual existe um poder enorme que é preciso (re)descobrir.
Nos países por onde aprendeu as várias correntes que fazem o que é hoje a dança oriental- dos movimentos mais orgânicos aos mais estilizados descobriu que em privado todas as mulheres sabem dançar, mesmo que em público isso não aconteça.
Falamos de como a dança sempre foi sinónimo de comemoração, da natureza e das diferentes passagens da vida.
E para a Rita a dança é, acima de tudo isso mesmo, um momento de celebração!

Imagem e texto © MademoisellePhoto


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