magui, câmara obscura e da magia

MR-DA
imagem: Margarida Ribeiro

Somos amigas, para mim agora, desde sempre.
Estudamos juntas em TCAV, primeiro no bacheralato e depois na aventura da licenciatura; vivemos na mesma rua em Vila do Conde, com direcção à praia do rock; sensibilizamos papel de aguarela em casa da mãe da Magui, a dona Dora; partilhamos muitas festas de música enquanto Gajas ao volante; a discutir dramas pessoais; a andar de um lado para o outro; a editar imagens uma da outra.
Provavelmente a única pessoa com quem partilho a fotografia e com quem nunca houve vestígio de competição e que raro isto é!
Há algum tempo que a Magui iniciou o registo online- escrito e visual- o diário da câmara escura, experiências e anotações do trabalho que faz e continua a fazer em Vila do Conde e que passa por trabalhar a fotografia analógica, adereçando as questões da base da ótica fotográfica- câmara obscura/pinhole.
Pedi à Magui para escrever um texto sobre o projeto, porque ao ver as primeiras imagens duma oficina em Vila do Conde e ver os participantes, jovens e crianças, filhos de tantos amigos e conhecidos, alguma coisa apertou-se cá dentro e pensei na importância de permanecermos nos locais onde pertencemos, que são nossos e fazer o que a Magui está a fazer, esta bela passagem de experiência, sim com catano, de testemunho.
Uma das últimas imagens que a Magui colocou no diário digital do projeto, é uma pinhole-retrato da Magui e do Pipa pelo filho João
E por mais kitch que isto possa soar, acho agora de cima dos meus 41 anos- que não, não são os novos 20 são os novos 40 ponto- que a importância da vida encontra-se no amor de quem nos acompanha e da partilha do que nos é importante, seja ou não uma tendência balizada pelo marketing digital.
Acho que temos todos muitas saudades da fotografia analógica, não tanto como um fim, mas essencialmente enquanto caminho.
Do trabalho cuidado e meticuloso com as películas e o papel; do ritual silencioso ou musical dos líquidos no laboratório vermelho.
Tudo presente neste trabalho da Magui, assim como no back to basis que a tua câmara obscura representa.
E eu penso muitas vezes, que talvez seja olhando para trás que se possa dar saltos para o novo em frente.
E este teu trabalho representa o redescobrir a magia de ver uma imagem a surgir do nada, às vezes é branco outras preto e tornar-se matéria.
Sim, para nós é e sempre será da ordem do mágico a fotografia, por mais que as palavras cientificas nos expliquem o processo da partícula.

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