A path

A photograher’s path- between imagery and words

Mais do que a dicotomia análogico-digital, interessa-me a ligação entre as imagens e os conceitos, as fotografias e as palavras.

Se o digital veio aumentar alguma coisa, foi o acesso, a democratização da tecnologia e dos recursos.

E que, por exemplo, na prática profissional jornalística introduziu conceitos como jornalista-cidadão e jornalismo multimédia.

Sendo o último de forma ideal uma ferramenta poderosa ao serviço do contar de histórias e de forma amedontrada a transformação de três profissionais num só jornalista, fotógrafo, operador de câmara.

Uma espécie de superagente multimédia.

Esta democratização do acesso à tecnologia, nivelou também as relações de oferta-procura; trazendo para a batalha profissional, fotógrafos e utilizadores das ferramentas fotográficas, com padrões de qualidade e profissionalização altamente diferenciados.

Desde 2003 que o meu processo de trabalho é totalmente digital.

Entre 1999 e 2003, mesmo quando as tomadas de vistas eram realizadas em analógico, a digitalização era já parte integrante do processo.

É prático, liga-me ao mundo.

Não fotografo mais em digital do que fotograva em analógico, muito pelo contrário.

Talvez pense menos nas imagens que faço agora, do que nas que fazia em analógico.

Gosto das imagens realizadas em telemóveis de baixíssima qualidade.

Gosto da ideia de sermos flanêurs contemporâneos, a tirar apontamentos visuais sobre o mundo que nos rodeia, com lápis, papel, telemóveis e demais ardósias digitais.

Para onde vão todas estas imagens?

Existem já muitos trabalhos criados com base nestes arquivos visuais, perdidos, achados e disponibilizados online.

Por milhões de pessoas, todos os dias, a cada hora, a cada segundo, num tornar presente, aqui e agora o Family of Man, para lá do que provavelmente Edward Steichen poderia imaginar.

Na construção do que poderá ser uma memória visual colectiva, a versão em imagens do inconsciente colectivo de Jung.

O que me conduz à questão final.

Este momento da nossa contemporaneidade fotográfica, parece-me ter muitos pontos em comum com o período no qual emergiu o pictorialismo fotográfico.

Movimento que, de certa forma por reacção a outro momento de democratização fotográfica- a implementação da Kodak brownie e a fotografia vernacular- procurou a definição de uma ontologia fotográfica e fê-lo através da aproximação formal, temática e técnica à pintura.

Alfred Stieglitz estabeleceu o elo, em contexto expositivo, entre fotógrafos e pintores, criando a primeira galeria exclusivamente de fotografia, lançando também a seminal Camera work.

Numa fase final, Stieglitz afastou-se do pictorialismo e abraçou o formalismo, seguimento lógico para a nova arte fotográfica.

Neste momento do agora, parece-me essencial a criação de análise crítica fotográfica, para lá das exigências de manutenção de um mercado e que abarque várias temáticas.

As novas ferramentas tecnológicas; as aproximações estéticas e técnicas entre a fotografia e as outras artes; a dicotomia entre amador e profissional; a proliferação massiva de imagens e às vezes o fosso entre a qualidade da matéria e a inexistência de conceito.
AP-GloriousDecay

©AnaPereira. série Glorious Decay. 2015
AP-GloriousDecay011

©AnaPereira. série Glorious Decay. 2015

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s