A fotografia a dois tempos

Primeira parte: da Mariana

Conheci a Mariana na Soares dos Reis.

Ela no 12º ano, eu a substituir uma professora.

Ela queria ser fotógrafa e eu dava-lhe história do cinema e lembrava-me sempre do professor Coutinho e das suas sebentas, certas, precisas.

Como me sabia fotógrafa, a Mariana às vezes mostrava-me o que andava a fazer para a disciplina de fotografia; e assim nos conhecemos, nos mundos da teoria e da prática.

Confesso que neste momento em que mu’ta massa cinzenta queimo em torno do futuro da fotografia, da minha, da dos outros e da essência ontológica para além dos sentimentos de pertença, acho bonito ver quem fotografa e caminha.

Acho mesmo.

Há duas semanas vi que a Mariana ia fazer uma exposição-happening em casa dela.

Tive pena de não ir ao Porto nesse dia.

Pedi-lhe para me falar do projeto. Para ver imagens.

Acho que o ato performativo começa a ser uma linha forte no trabalho da Mariana.

Presente aqui no “Vira volta”.

Presente nos auto-retratos encenados de “Femme” de 2012 e presente nas paisagens de “Estivação” de 2012-2013.

Nestes dias que andei a pensar sobre o trabalho da Mariana, dei por mim a pensar nela como membro de uma geração, separada vinte anos de mim.

E dei por mim a pensar que a Mariana e por arrasto a geração que faz parte, são (fotograficamente) pós Nan Goldin e Corinne Day, as fotógrafas que tornaram as suas vidas e a si próprias, sujeitos principais das suas narrativas.

São também herdeiros do ato performativo fotográfico que a obra de Sophie Calle demonstra.

Às vezes ao ver a Mariana e as suas imagens, penso também na fase inicial da Orlan, do happening/performance, sendo a fotografia apenas um registo da obra.

Mas a obra da Mariana, é também já herdeira de autores ainda mais recentes, como o maravilhoso Mike Brodie aka Polaroid Kid.

O projeto ‘Vira Volta’ e apesar do ‘flavour tuga roots’ que o nome encerra, remete-me para duas questões, uma homenagem e pedido de regresso à figura da avô ElVIRA e por outro lado a ligação à concepção filosófica que aponta o tempo como ciclico, sem um claro ponto de início e de fim, o eterno retorno.

A Mariana sobre o projeto diz-me por mensagens digitais:

‘… foi um projecto onde decidi ver o meu arquivo e digitalizá-lo de modo a criar uma especie de salvação. (…) Visto que a minha avó chamada elVIRA morreu no verão passado.(…) O projecto está divido em V capítulos. (…) Capítulos pelos quais estão designados fases da minha vida. (…) desde 2011 até 2015 (…) Maioritariamente analógico(…) A exposição é um ato perfomativo e a porta está aberta desde as 4 até à meia noite (…) São impressões de dimensão variável (…) desde 2×3 cm até 30x40cm (…) O primeiro capítulo remete a perda do primeiro amor (…) O segundo a morte da minha avó(…) O terceiro aborda o desespero(…) O quarto chama-se verdes e representa a entrada de uma pessoa nova da minha vida que me deu esperança(…) O quinto é o eterno retorno…

Aqui ficam os links para o trabalho da Mariana Rocha e no final do post, algumas imagens de VIRA VOLTA.

Mariana

Mariana tumblr

 

Um beijinho Mariana.
MR-Viravolta00

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Imagens do post:

VIRA VOLTA. 2015 ©MarianaRocha

 


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