A exposição da Catarina

A Catarina inaugura hoje a exposição Broken Ground, em Braga, no Museu da Imagem, às 18h.

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Conheci a Catarina no mestrado em Fotografia e Cinema Documental.

Achava-lhe graça, aquela coisa de fazer tudo bem e de forma meticulosa e ao mesmo tempo ser uma rockeira stylish. Discreta, sempre discreta.

No trabalho final do mestrado, vieram estas paisagens simbólicas, estas belas paisagens interiores. Sim, interiores.

Depois veio o Archivo, com as edições online primeiro e depois o primeiro catálogo/compilação e agora as edições sempre impressas.

Bons textos, uma edição cuidada e regras de seleção bem claras e rigorosas para uma abordagem abrangente contemporânea da fotografia documental.

Gosto desta miúda.

Esta série, que a Ana Catarina hoje inaugura, foi iniciada no âmbito do projeto European Borderlines.

A inauguração é as 18h.

As impressões vistas daqui, ficaram bem bonitas.

Boa sorte. Depois espero que me possas fazer uma visita guiada.

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“DA CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA ÁGORA”- Ana Pereira

Da periferia conheço o que experiencio, o que olho, o que sinto.

A periferia da cidade é como a minha aldeia-memória.

A chuva quando cái escorre por todo o lado e uma ordem cresce pela desordem adentro.

Desconfio dos não-lugares enquanto modelo da fotografia documental contemporânea (tempo presente).

Interessa-me o conceito do antropólogo Marc Augé porque fala do que experienciamos a cada dia, da realidade aí fora.

O não-lugar enquanto nova configuração social, espaço de passagem e de ninguém.

Um espaço não-relacional, não- identitário e não-histórico, por oposição ao espaço antropológico, criador de identidade e de relações interpessoais.

E é aqui que me encontro com o trabalho, de Ana Catarina Pinho, Broken Ground.

Um chão em fragmentos, com a esperança que aí reside de construção.

Ana Catarina Pinho desenvolveu esta série, ainda work-in-progress, no âmbito da residência artística European Borderlines, estabelecendo uma narrativa visual entre Portugal e Turquia.

A questão da fronteira ergueu-se ao olhar aquela que se delineava entre cidade e periferia, nestes dois países situados nas linhas fronteiriças de uma Europa alargada.

Se por um lado são visualmente semelhantes os desenhos de periferia em Portugal e na Turquia, também é semelhante a ocupação e os posicionamentos humanos nesses espaços homogeneizados.

Se a cidade comporta as regras e limites da utilização humana, na periferia este espaço é construído quotidianamente pelo homem.

É nesse espaço intermédio que acontecem as imagens de Broken (Play)Ground, estas paisagens com retratos que falam através das palavras/notas que nos dão a voz do retratado.

Os retratos acontecem numa linha que divide o-de-cá e o-de-lá, sendo em última análise as pessoas os criadores dessa fronteira.

Estas imagens devolvem-nos a ideia de que a linha de liberdade no quotidiano da periferia é criada pela quebra, pela ruptura.

Sendo a narrativa subjacente à série Broken Ground a da construção de um bairro imaginário, o mesmo em Portugal e a Turquia, indistinto a nível de demarcação fronteiriça e de nacionalidade, mas personalizado e identitário.

As imagens de Broken Ground são as de um espaço que não se mantém um não-lugar, porque ao ser habitado pelo homem, vai sendo preenchido com usos, memórias, significado e tempo, linhas basilares da construção de lugar.

Materilizando-se as palavras de David Bate quando afirma que a fotografia no contexto da paisagem, introduziu um novo ideal.

Uma visão não-estética (afastada dos conceitos de pitoresco e de sublime) e que procura outras significações sociais, políticas, económicas, ideológicas e sim, pessoais.


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