Carnet du bonheur

 

AP-CB

 

O Rafael chama-me: “Senhora… Ana!”
Hoje queria a nossa presença, tinha medo.
Colocámos a mão no peito dele para constatar os saltos do coração.
Uma vez pedi-lhe para o fotografar e ele perguntou-me se era para mostrar à polícia.
Disse-lhe que não e mostrei-lhe o meu instagram.
Perguntou-me porque fotografava eu então.
Respondi-lhe que era porque gostava.
Ele deixou.

AP-CB00

 

Desço a estação para apanhar o metro.

Um homem diz-me que não há.

Não entendo bem e continuo.

Outro rapaz diz-me o mesmo, eu páro e ele também.

Que alguém tinha caído na linha, que não, que não havia metro.

Fico a pensar em voz alta como vou para casa. O rapaz também.

 

AP-CB01

 

As insónias regressam assim como as dores nas pernas.

Ando com o caderno rosa na mala e a caneta.

Depois do café no sr. Jorge e enquanto espero o metro, começo a escrever.

O que pensei durante a noite antes de adormecer e durante os primeiros minutos da manhã.

 

AP-CB04

 

No domingo andamos a passear e eu levo a minha máquina.

Foi um acordo que fizemos.

Sabe bem.

Fotografar com a máquina a sério.

Fazer imagens dele.

Tuas.

 

AP-CB05

 

Hoje chegou o inverno. E eu gosto.

Do frio e da chuva e que me lembra o Porto.

E gosto também desta coisa melancólica que acontece entre o corpo, o tempo e uma cidade e que me dá vontade de fazer.

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