Carnet du bonheur

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Vou ao centro de saúde com a minha irmã, depois do meu irmão ter-me tentado arranjar um médico de família.
Venho acometida pelos achaques de calor.
Sim, por agora da gripe.
Vejo entrar uma cara de que me lembro: “Está forte aquela miúda!”
Espero que olhe para mim para lhe dizer olá. Sempre achei aquela cara tão simpática.
Não olha para mim! Vejo que está grávida.

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Mais tarde, já lá dentro enquanto estou sentada com a minha irmã que fala com uma senhora, vejo chegar outra cara de que me lembro.
Fico a olhar longamente para elas.
Tento recordar-me desta última cara, no meio das imagens que tenho guardadas atrás dos olhos.
AP-CB05Lembro-me que sempre andou de saia esta miúda, sempre, todos os dias.
Aliás, é bastante semelhante a forma como se veste ainda. E que lhe fica muito bem, mais do que quando era miúda.
Nos seus traços particulares, é uma rapariga muito bonita e pela forma como se relaciona com os filhos e a amiga, tornou-se uma mulher bastante decidida e prática.

Sempre achei engraçada a forma como coloca os pés às 10h-pás-14h, da anca larga e das pernas grossas, numa estrutura magra.
Muito mais nova do que eu, vejo a forma como a maternidade lhe assenta bem. Como uma luva.

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Na sexta em que vim para Alcobaça, comprei no quiosque vintage (boa esta!) da rodoviária, um livro chamado futuro hoje amanhã.
Escrito nos anos 70, é sobre as tecnologias; da genética à robótica, passando pela energia nuclear e pelas viagens interestelares.

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Em determinada parte leio qualquer coisa como: “… no futuro, esse tempo algures entre o ano 2000 e depois- a exatidão temporal é minha e do livro – a humanidade não só deixará de precisar de trabalhar, assim como a continuidade genética, a descendência deixará de ser uma necessidade humana e logo, um objetivo de vida.”
O que me faz lembrar um texto que comecei a escrever para a menina dedo da Luena, que passei depois para o meu projeto Glorious Decay .

AP-CB03Já no carro com a minha irmã depois de não ter passado a triagem e não ter consulta, conversamos sobre as miúdas.

Recordamo-nos que eram da mesma religião da Celina- a amiga da mãe- razão pela qual usavam sempre o cabelo comprido e saias.

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