Crónicas de uma fotógrafa nos crepes

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Os cartazes, as mulheres, a Virginia Woolf, os medicamentos, o ouvido, os bombeiros, a morte, os incêndios, a internet, a dor no coração, o que a cabeça sabe, a auto-preservação.

O amor. O que é o amor?

Porque amo os homens que amo e porque quero que as coisas sejam de uma determinada forma?

São eles, ou eles são o modelo mais próximo da fórmula que é minha? São todos diferentes e é nessa diferença que me apaixono, ou são variações de um modelo?

O que quero viver com cada um deles? O misterioso presente ou a concretização duma história que é minha, mesmo sendo, também ela, misteriosa para mim?

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Quais são os projetos que alimento a dois?

Passear e ir aos sitios onde gostava de ir e nunca tenho coragem para ir sozinha.

Uma pessoa que admire e que entenda o que eu digo e penso.

São também o sonho de uma pessoa-homem que me abrace e proteja. Que me diga que a tristeza funda vai passar, que tudo vai ficar bem. Que me diga que eu sou capaz.

Que seja recatado na mostra de sentimentos, mas que comigo mostre a profundidade do que é, um igual.

Esta noite sonhei com uma mulher, que tanto era eu, como um terceiro espetador, câmara.

Havia um homem que fazia muito mal aquela mulher, violência física extrema.

E às vezes ela merecia. Era isso que as legendas do sonho diziam.

E havia outro homem, mais velho.

E com esse também me relacionava e às vezes era espetador. Eu.

Os dois homens, um que exercia violência, física, emocional e outro que era muito mais velho. As opções possíveis.

E a mulher às vezes sofria com a violência, mas às vezes não. Estava tudo bem.

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Estou sempre a fazer esta viagem de dentro para fora, como no sonho.

A sentir e a pensar. O pensamento acalma-me o sentimento mas depois o sentimento engana o pensamento e faz-me ficar no mesmo sítio.

E depois há uma outra coisa, que nem é sentimento/pulsão, nem pensamento.

Mas talvez neste momento, não deva de atribuir muita importância nem ao sentimento nem ao pensamento.

Talvez só direcioná-los para as coisas outras do mundo.

Sim, também acho que o amor nos fragiliza. Aliás, o desamor.

Torna-nos frágeis, submissos. Acho isso sim.

E ao contrário de todas as outras vezes, não vou fazer nada.

Só fazer as coisas que eu sempre achei e acho que não sou capaz.

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