Crónicas da província

Capuchos, casa dos pais.

Cozinha slash atelier. Música do computador antigo, de encontro a outras anas, de outros tempos.

A Maria balança o peso nas costas de mim. Na cadeira. Chove lá fora e bem e bom.

Abro a porta da rua e sento-me no 1º degrau na almofada azul dos gatos.

Vem a imagem em movimento com cheiro, vulgo memória, dos dias de outono, inverno em casa dos avós, ali a seguir à curva.

Da manhã em que abri a porta e apareceu um cão bonito, perdido de um caçador, molhado até aos ossos. Os olhos do cão, misturados com o cheiro do pelo molhado, abandonado.

Viro-me e fecho a imagem.

AP-CP01 janeiro 2014

Acabo de beber o café e avanço a música no computador.

Googlo o chá. O chá.

Por causa do darjeeling do outro.

Sim é preto, sim é preto. E também dá nome ao filme que eu gosto tanto.

No ano 13 deixei para trás uma série de coisas que há muito integrara como minhas e algumas vezes sentia sem pensar, se estas coisas sou eu, quem sou eu sem elas?

Foi bom este mês lá, com quase nada para além de mim.

Não penso muito nos meus livros, que ficaram aqui nesta casa, mas sinto-os mais dentro de mim do que quando estava fisicamente rodeada por eles.

Recomeço a ouvir música. Recomeço a dançar enquanto ouço música.

Primeiro não racionalizo a coisa, depois sim.

É a porra da travessia do espelho.

AP-CP00 janeiro 2014


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