Crónicas da província

IMG_2195Lisboa. 03 de dezembro

Ainda não sei como visto a cidade.
Caminho nas ruas e sei que demora sempre algum tempo, a ser criado o cheiro novo que vem quando os sítios já existem em nós e nós neles.
Gosto de fazer a pé o caminho entre a casa branca, do quarto azul noutra língua e as ruas largas brancas, já com rio no enquadramento.
O meio do caminho é terra neutra.
No sítio onde a placa escreve anjos, há outro sinal que diz imigrantes e ao lado da igreja onde há roupa que se dá aos que não a têm, há gente.

IMG_2192Lisboa. 03 de dezembro

Muita gente perdida noutro tempo. Naquele que fica no meio do caminho, de todos os caminhos.
O caminho que se faz a pé obedece sempre a outro compasso.
Como a imagem do Daguerre. Ou seria do inventor primeiro Niépce, o homem que viu primeiro sem manha.
IMG_2196Lisboa. 03 de dezembro

Mas dizia eu, este caminho a pé é como essa fotografia.
Longa exposição em que é possível ver o que não se movimenta.
O que é permanente em cada sítio.
A cidade que começo a configurar nesta longa exposição, tem mapas humanos distintos.
Étnicos. Culturais. Económicos.
E a cidade desenha de forma bem limpa as linhas divisórias.
Entre a pobreza e a riqueza. Os estrangeiros e os nacionais. A verdade e a superfície.
Os que ficam acima da linha e os que não.

IMG_2193
Lisboa. 03 de dezembro


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.