Crónicas da província

Flip it over é o que diz na carta que escolho do kit .

Acabei ontem de ler o livro do Nelson Motta sobre a música brasileira entre os anos 50 e 90.

Não sobre a música, sobre a vida dele e a música.

Bom!

Aquele mix entre diário aberto e limpo e uma descrição que é social, antropológica.

Boa, muito boa!

Aquela mistura que o Brasil faz tão bem, entre profundidade e linguagem informal.

Anoto nas notas do iphone: escrever uma crónica todos os dias de meia página.

Começo hoje.

É esta. O nome não sei.

Podem ser as crónicas da província ou o caderno da província.

Voltei a ir para baixo ao ver que o Nelson Motta com a minha idade já tinha rodado a baiana…Tantas coisas que já tinha feito.

Enterro a faca no peito mais um bocado. Retiro-a a e fico a olhar.

A sessão de fotografias do domingo. Porque não correu tão bem? A razão limpa de tudo?

Dia 16 começo a levantar a eito estas questões todas.

Mas estou de volta das imagens das meninas na casa, a construir um novo caderno que se chama Sunday notebook.

Fiquei de começar um projeto com a Mafalda.

Mas ela e eu sofremos deste mal da procrastinação. O medo tão grande de falhar ou de acertar que faz com que se faça a merda de nunca fazer.

Nos últimos dois meses tenho cortado com tanta coisa do antes e tantas pessoas que já nem sei mais nada.

Agarro em dois livros de quando andava na escola secundária, o Visualmente falando.

De um altura em que alimentei secretamente o sonho de ser, nem sei bem, designer de moda acho eu.

Na altura diziamos estilista e ninguém ficava consternado.

Sei que a clivagem entre uma família dedicada ao trabalho e esta alma que me habituei a ter, provoca um choque cá dentro.

O de eu não aceitar a herança do trabalho, da mesma forma que não aceito a natureza poética.

Sei. Podia abraçar as duas coisas, sim.

O texto já vazou a página. Não está grande coisa.

Mas cumpre a função. De ser o primeiro.

Untitled
Sunday notebook. novembro, 2013

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2 thoughts on “Crónicas da província

  1. ai, soube-me tão bem ler que nem imaginas. de repente voltei não sei quantos anos para trás, na época em que éramos sinceros com os blogues. adoro. e o texto está bom, sim senhora.

    (se bem que isto agora para deixar comentários está bem mais complicadinho da silva do que antes)

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