de regresso a casa

O caminho está nos livros, na liberdade, em ter dinheiro, em estar à margem, em estar integrado, em ser alinhado, em estar desalinhado, em gerir com eficácia a comunicação nas redes sociais, em ser socialmente competente, em falar, em não falar.

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Capuchos. agosto de 2013

Cada pessoa apresenta-me uma solução. Ou duas ou três. Ou quatro.

Qual é o problema? O desajuste resulta de que equação?

Fotografar ou ter a validação dos pares; a qualidade do que se faz ou a quantificação de quem se é; a conta bancária ou as expetativas reflexo 3D ?

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Alcobaça. agosto 2013

Como é o horizonte da fotografia que vejo?

Comercialmente existem os fotógrafos, cada vez menos, que vivem do que fotografam e nesse sentido chamar-lhes-ei profissionais(1*) .

Existem os fotógrafos, cada vez mais, que não têm a fotografia como fonte de rendimento principal e nesse sentido chamar-lhes-ei amadores (2*).

Uns e outros encontram-se lado-a-lado no mercado de trabalho e dado que para (2*) a fotografia não é a única fonte de rendimento, os valores têm vindo a cair dramática e drasticamente nos últimos, vamos dizer, 10 anos. Para óbvio infortúnio do primeiro grupo (1*).

No grupo (1*) por sua vez, acontece uma subdivisão, que advém da coexistência de diferentes formações académicas e experiências profissionais e que faz com que dois fotógrafos a competirem pelo mesmo trabalho, avaliem de forma absolutamente distinta os seus trabalhos e como tal o valor que ele terá para o cliente final.

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Capuchos. agosto de 2013

The digital affair

A questão da introdução da fotografia digital neste mercado, sim o comercial- o alimentaire como diz a Susana– merece atenção na medida em que por um lado traduz-se numa desejável democratização da tecnologia e num romântico incremento da cultura visual, por outro lado com o aumento do número de dispositivos fotográficos, aumentou o número de criadores de imagem na área comercial a dividirem espaço com o grupo  (1*).

interlocutor imaginário: “Ah, mas isso é a velha questão do novo vs velho, dos velhos do Restelo e  mai-não-sei-quê e daqui a 50 anos ninguém se lembrará disso tudo?”

Posso até dizer que sim, mas a questão de base, essa simples e primitiva, mantém-se e está aí.

Uma amiga de um amigo dizia-me que a solução do problema – a manutenção de uma concorrência justa- passaria pela criação de uma ordem dos fotógrafos que trabalhasse na sistematização da classe.

Talvez seja verdade. Mas ao mesmo tempo, parece-me pouco viável nesta realidade em que o real e o virtual misturam-se e as fronteiras de tudo são cada vez mais esbatidas, com o que isso tem de bom, de mau e de assim-assim.

A proliferação de máquinas fotográficas, de image-makers e a quotidiana validação social-media desta produção de imagens, levanta outra questão.

Há já alguns anos (15+-) que dou formação de fotografia.

Anteriormente, a segmentação público-alvo e conteúdos era bastante simplificada, da iniciação para a consolidação.

Neste momento, a nomenclatura iniciação tornou-se tabú.

A compra de uma máquina fotográfica digital parece trazer agregada ao manual de utilização, o pressuposto do domínio das bases do conhecimento fotográfico, deixando assim os novos-fotógrafos livres, isso sim,  para ondas mais profundas do conhecimento, do retrato à fotografia de cena.

(a própria em luta interna): “Devo estar a ficar uma adulta amarga e cínica! Não pode ser. Que mal tem tudo isso afinal?”

(a própria em versão aparvalhada): “Mesmo nenhum. O que importa é a profundidade e novidade do olhar.”

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Capuchos. agosto de 2013

Tarde de sábado. Passeio pelas ruas do Porto.

Entramos numa loja, boa, cheia de máquinas, espaçosa, simpática, mesmo muito.

A Câmaras e Companhia.

Eu tinha visto  informação sobre os workshops que organizam de grande formato e tinha curiosidade.

O Raúl mostra-nos o laboratório, fala-nos do workshop de grande formato e mostra-me, ela, a minha máquina!!

Uma Linhof Technika, de madeirinha, leve e pequenina, perfeita para a minha mão.

Depois mais umas galerias, inaugurações.

O espaço do Luís  e um outro coletivo de fotografia.

Mais livros e mais fotografias.

Tantos espaços, tantas imagens.

Tanta fotografia.

Tanto, tudo.

E sentada numa das galerias a olhar as paredes brancas e as imagens da cidade/campo que é o Porto, agarro no caderno bonito já no fim e fico a pensar no meio de tudo e de tanto, que espaço é que existe, de facto. Para todos, todos os outros.

(a própria em luta interna versão Chuck Palahniuk): sempre que começo com estas conclusões banais (Maf dixit) só me lembro da Carrie-fucking-von-Bradshow-flufin.

Um amigo dizia-me há uns tempos, que em momentos de crise, as famílias protegem os seus, fechando-se os círculos. Em círculo.

E se calhar por me sentir eu própria going full circle, começo a pensar com a caneta: qual será o meu, o meu espaço?

(Mais um momento Chuck Palahniuk/ Carrie-fucking-von-Bradshow-flufin)

Eles aproximam-se e fica a branco a resposta na folha.

É fim de tarde, ainda está calor. As ruas estão quase vazias.

Vou ter saudades daqui.

Imagem.
Paredes de Coura. setembro de 2013

( As imagens deste post não funcionam enquanto legendas, de caráter informativo e/ou descritivo. As palavras são um monólogo com o mundo prático, as imagens um monólogo com o mundo romântico.)

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One thought on “de regresso a casa

  1. É verdade. São perguntas vividas (e vívidas) demais para que os pensamentos sejam translucidos. Mas vamos seguindo, vamos acreditando que existem dias melhores adiante*
    (obrigada pela visita… e vou voltando aqui também*)

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