texto para a exposição da Joana Castelo

Azul profundo
janeiro 2012

Saltamos no vazio.
Puros. Uma vez mais.
Acompanhados pelas nossas armas de construção de universo.
De mão dada, cada um com a sua música, cada um no seu caminho.
Recriamos um outro que nos acompanha; às vezes calado, às vezes ouvinte, às vezes dialogante.
Temos medo e fugimos; acreditamos que estamos no sítio certo e prosseguimos.
O espaço é feito de camadas de tempos. Coexistentes. Passados e presentes.
Num mesmo plano construído em fragmentos, romanticamente destruído. Belo.
O olhar atravessa a face do agora, construído através do rosto mutante do que foi, do que não foi e antevendo silenciosamente o que vai ser.
Tens medo? De que me falas tu? Porque é que nos anestesiamos assim? O que é a beleza? Porque é que sentimos tanto?
E conhecer um sítio, o que é?
É querer voltar muitas vezes sem vontade de aprisionar, transcrevo para o caderno vermelho. E ver as imagens habitadas pelo vazio, com cheiros e palavras em eco, índices de um referente emocional.
Autobiográfico, anónimo ou coletivo.

Ana Pereira
texto para a exposição da Joana Castelo
Joana Castelo


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