Mobile daisy- maria fumaça

Aquilo que se interpõe entre mim e uma existência plena e digna de qualquer mestre de meditação, são as pequenas raivas que me assolam, assim de repente, sem eu estar nada à espera.
De muito me têm valido, nesta luta interna que às vezes me dá vontade de roer os parapeitos das janelas, os ensinamentos que eu leio dos mestres do yoga, que eu não faço porque- como os que me conhecem as práticas diárias bem o sabem- gosto mesmo é de estar deitadinha em qualquer lado da casa a ler; dos livrinhos que me explicam a elevação a que é preciso submeter os chakras e da rosa que bem os tenta elevar, mas a tendência é a coisa nunca subir acima do nível das águas quentes das maçadas do corpo; do diabo dos impulsos que nos lixam a vida embrulhados naquilo que os outros e nós esperamos de nós, como eu li no doutor Freud e agora, esta coisada das emoções e dos sentimentos enquanto fruto ou pelo menos resultado de estados, quase sempre biológicos, como ando a ler no caminho espinosiano do senhor Damásio.
Voltando às raivas.
Ultimamente procuro entender o que faz o trigger, porque me sinto irritada quando me sinto irritada. E quase sempre é uma de duas coisas, ou me dizem pela primeira vez uma coisa que eu tenho lutado por não ver, ou como diria Damásio, essa emoção de crispação, provoca uma imagem- sentimento de irritação, que de facto é um choque do meu corpo que na busca da sua auto preservação homoestática, luta com o exterior para evitar a mudança que esse elemento vai introduzir cá dentro e depois, já se sabe, lá vêm os conflitos internos e até que se chegue a um sítio novo, é preciso gastar umas proteínas valentes.
A outra coisa é a existência de pessoas que escrevem sobre tudo. Especialmente políticas giras.
Mas o bom de gastar tempo a pensar nas coisas, é que, e na maioria das vezes, a partir do momento em que se identificam as coisas cá dentro, as que não são assim tão boas, parece que deixam de fazer sentido e com maior ou menor velocidade, vão deixando de chatear, até desaparecerem.
Mas isto, é como os mosquitos em noites de verão no campo, basta deixar a janela um bocadinho aberta ao final do dia para apanhar a brisa e ver o céu estrelado pela ponta do cigarro, que ao adormecer já lá vão andar não sei quantos de volta da cabeça a moerem.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: