À janela de um quarto só seu

Durante os últimos anos desejei a premissa da Virginia Woolf, um quarto só meu.

Um espaço onde só o meu corpo tem acesso, para pensar, para ter tempo. Um espaço delimitado por linhas geométricas, onde conseguisse fazer staccato.

Para chegar ao tempo, o tempo que é necessário; para digerir o mundo lá fora dentro dos meus olhos e virá-lo do avesso, com as palavras dos outros, as imagens dos outros, os sons dos outros e criar um lugar para antever o que poderá estar à frente.

O tempo que tanto pode ser uma linha recta, como uma linha cheia de curvas, dizem eles, e eu acredito. A Ana acredita muito e acredita quase sempre.

Mas agora nessa janela do quarto só meu, vejo que o outro, faz muita falta, uma falta para lá das imagens, das palavras e dos sons.

É a coisa do corpo acho eu. O corpo do outro. A vida do outro. Essa coisa que o outro traz e que é tão boa como impossível de suportar. A coisa do improvável, do desconhecido, o para além de mim.

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