O que estou a fotografar quando estou a fotografar?

No meu trabalho pessoal

Procuro a representação de uma beleza, a representação de um organização, o mais visualmente apetecível possível.

Procuro uma melancolia que me embale. Procuro a tranquilidade. Procuro o que foi!

Quando fotografo o outro, quero o outro, mas quero-o numa visão que é minha e que encontra eco na minha memória.

Tenho uma imagem emocional do outro, às vezes sensação, às vezes convenção e procuro realizar essa imagem.

Não trabalho com o outro, não é um processo colaborativo, não peço ao outro ideias.

Aceito apenas as participações que devolvam a minha convenção.

O presente, o momento do acto fotográfico, existe enquanto procura do passado.

No meu trabalho comercial

Às vezes não é possível transpôr a premissa anteriormente descrita, do trabalho pessoal para todos os trabalhos comerciais.

E aqueles em que o não faço, aqueles em que é preciso procurar a rapidez, o presente, o oposto da melancolia, não me agradam.

Na fotografia de cena existe sempre ou quase sempre, uma beleza e sensação emocional a que me posso ligar.

Quando essa beleza ou imagem emocional não existe, o meu impulso para fotografar é comprometido.

Tenho dificuldade na acção, no rápido. Gosto da contemplação.

No trabalho de reportagem consigo fazê-lo, porque é essa a premissa do trabalho, a minha responsabilidade. E procuo uma outra concentração, mais livre dos meus conceitos internos, compenetrada no sentido do tema e objectivo da imagem e na procura de uma visão.


fotografia AnaPereira.Lisboa. Maio.2011

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