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Diz-me de que cor se escreve o mundo atrás dos olhos que me vêem como sendo um novo e não o mesmo de todos os dias, desde que me lembro.
Queria acordar na magia que todos os dias tinham antes.
Antes de quê?
Antes destes dias que já sei a cor. Desde quando sei a cor dos dias?
O mar traz-me a tristeza dos outros, mas a água traz-me a paz do que não conheço mas adivinho com a sabedoria do peito que não tem palavras.
Quero palavras novas, quero sentir sem entender nada, quero viver sem tradução.
Quero andar, caminhar sem parar, mesmo quando estou deitada, parada, a caminhar pelos caminhos escritos nos livros que todos os meus irmãos antes de mim deixaram para me ajudar a seguir por este caminho.
Tenho medo, mas sou sempre mais infeliz quando a única veia que pulsa dentro dos meus olhos é que a me faz temer a luz da minha sombra.
A chaminé castanha recortada no céu azul, a senhora da t-shirt vermelha abre a porta também castanha incrustada com vidros brancos e transporta o lixo para o carro que é verde como as árvores e a natureza, como o homem é perverso na sua estranha construção do mundo.
lom00
No dia em que acordei nos capuchos nasci uma segunda vez.
Que se prolongou por muito tempo.
Como naquela manhã que parecia sem luz em que pelo meio das lágrimas eu fui para o único lugar possível, para a frente.

lomo01

Tudo o que digo para dentro da minha boca a ver se chega pelo coração adentro é mentira.
O cérebro é uma mentira digo eu.
Eu só sei o que sinto, mesmo o que penso sinto.
Venha o Damásio que explica melhor.
Sinto o ar que circula dentro de mim, ao mesmo tempo mais animado e frenético que me põe sem vontade de mais nada do que aquilo que lhe anima a vida.
Quero-quero-preciso olhar pelas paredes adentro como se olhasse para dentro de mim e andar muito depressa a unir as palavras todas do mundo até chegar à ordem que vai soprando de dentro.
Quero lá saber do resto. A comida, os pratos, as certezas, os blockbusters, o mainstream.
Porque gosto do passado e esforço-me por fazer de conta que o futuro é só uma hipótese gramatical?
Porque o passado já está vivido, já tem resultados e análises, porque não é o que o futuro adivinha uma folha em branco, sem resultados nem análises, só miragens de precipícios ou de fortuna.
E o presente só me dá tempo para olhar para o passado e se o deixo desenrolar ao mesmo tempo que o vivo, perco o tempo para olhar para trás.
Como se pode viver o presente agora e olhar para trás?
E o futuro quando é?
Se for amanhã já é presente e em dois dias torna-se passado.
Então só gosto do passado porque tenho medo do futuro e oblitero o presente por estar mais perto do amanhã do que de ontem?
Acordo todas as noites quando elas estão no meio, na divisão entre o que foi e o que vai ser e olho para as duas partes e somos sempre duas, a que querer voltar para o dia que já foi e a de mim que quer começar um dia novo, com aquele tempo no início que de tão novo ainda é de amanhã.

lomo02

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One Comment

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  1. ontem vi um filme com uma atriz que me faz lembrar tu.
    esta:
    http://www.imdb.com/name/nm0007814/
    tenho 2 filmes com ela muito bons. temos de marcar janting. vamos lá olhar mais para futuro, essa maravilhosa incerteza, sô dona ana saudo-sista. o futuro é, de todos os tempos, o mais fantástico, dele podemos fazer o que se quer, mesmo quando ele chega e não é nada disso.

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