o mundo das pequenas coisas II

Tenho alguns retratos antigos que fui guardando, imagens da famíia perdida no brasil, imagens de desconhecidos que fui comprando em feiras de velharias e outras que açambarquei por meios menos licitos, mas que para agora não interessa.
Antes da minha vida se cruzar com a fotografia para nunca mais se ir embora, estas imagens já me acompanhavam.
O passado interessou-me sempre mais do que o presente e obviamente muito mais do que o futuro.
Demorei anos a tomar consciência de que no passado existia cor, sim para mim o passado era a preto e branco e sépia, mesmo a realidade do dia-a-dia.
Pensava como os rostos dos homens, mulheres e crianças foram mudando, tornando-se mais leves.
Depois com a fotografia entendi, que uma parte desse peso que eu via nos rostos do passado, tinha mais a ver com os processos fotográficos usados e os tempos de exposição do que com as agruras da vida e alterações antropomórficas.
Desde que descobri o trabalho do Joel Peter Witkin e da Sarah Moon, no final dos anos 90, que medo, que me persegue a ideia de pintar um fundo como os destas imagens antigas e andar com ele pelas ruas do mundo a fotografar pessoas.
O Geo fez-me o fundo e decidi começar esta série de retratos, aqui, na sala.
Tecnicamente interessava-me explorar o trabalho de retrato.
Trabalhar com o maior número possivel de pessoas, o mais diferentes entre si e de mim, e o maior número possivel de desconhecidos e forçar-me a trabalhar bem, a aproximação com as pessoas e o retrato.
Depois interessava-me trabalhar a manipulação digital, trabalhar para um resultado final.
Há algum tempo atrás descobri o trabalho do fotógrafo DAVID PRIFI, que tem uma série de retratos belissimo feitos com colódio humido e depois descobri o trabalho de outro fotógrafo americano, que do meio da sua cabana de madeira faz workshops de colódio e fotográfa dessa maneira maravilhosa pessoas.
Por momentos pensei em abandonar este projecto.
Mas depois continuei.
Mas é curioso como o que o Fabio Iaquone me disse há uns atras, é mesmo um facto da criação contemporânea.
Quando tiveres uma ideia, executa-a, logo, sem esperar, sem olhar para trás, porque as ideias circulam numa rede global e o que faz com que o teu cérebro despolete o pensamento que te vai levar a determinado resultado,é o mesmo e incompreensivel facto que fará com que  mais alguém, noutra parte qualquer do mundo, mais tarde ou mais cedo produza a mesma ideia.

nas imagens por ordem:

André, Ana, Inês, Janina, Joana, João, Leonel, Nuno, Patrícia e Rosa.

Obrigada a todo(a)s o(a)s modelos.

fotografia AnaPereira 2008

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5 thoughts on “o mundo das pequenas coisas II

  1. eu gosto definitivamente muito disto ana. mesmo! p.f. termina e mostra. acho que conseguiste, no colectivo das imagens, um nível de intensidade absolutamente incrível. não é apenas um registo, as pessoas estão mesmo lá, nas suas particularidades, no fundo do olhos e nas expressões dos seus corpos… parabéns ianica!
    😉

  2. gosto muito de todas, menos da minha. há ali qualquer coisa, a sombra no nariz que me perturba, nem sei bem se é isso. este trabalho está muito belo. beijinhos e até já*

  3. Lindo!!! Qualquer coisa de genial. Falar do meu é suspeito pois acho fabulastico mas estes estão lindos…essencialmente vivos.
    Cidália

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