hip hop girls

primeira parte.

comecei a fazer este trabalho há dois anos.
este trabalho começou por ser outro, com a mafalda, sobre os mcs mais underground do hip hop portuense.
depois e talvez por causa das filhas de lilith, comecei a pensar em quem seriam as mulheres do movimento hip hop cá em Portugal.
quem seriam as writers, as mcs, as b girlz. num movimento que me parecia bastante masculinizado.
o início do trabalho fi-lo com a dora a trabalhar o texto, depois a dora começou a trabalhar na viva+ e não deu mais para continuar a pensar no texto. eu de vez em quando ainda lhe assombro a alma, mas ela não se deixa levar.
percebo agora que enquanto estava a fotografar, nunca clarifiquei para onde é que queria que o trabalho fosse. pensei em fazer uma reportagem, para publicar numa revista colorida semanal.depois de ter tentado e não ter conseguido publicar, tentei perceber o que não funcionava no trabalho e por ter ficado indecisa se estava a fazer um retrato para uma entrevista ou uma reportagem sobre o dia a dia destas pessoas, o trabalho fica aí mesmo, entre o retrato e a reportagem, entre a pose e o que realmente elas são.
nesta sequência coloquei as writers, depois as mcs e finalmente as bgirls. a pintura, a voz e a dança.
a Bela foi uma das últimas pessoas que conheci.
depois de ter conseguido o contacto e de termos combinado encontrarmo-nos( através da internet conheci um rapaz chamado fresh, que faz web design e que me forneceu muita informação para eu poder escolher as pessoas para o meu trabalho e me facilitou também vários contactos), marquei um fim de semana para poder fotografar as raparigas lá de baixo, a crew de bgirls e a bela.
a natacha. assina bela, tem 20 anos, vive em vila franca de xira, faz parte duma crew chamada front line crew e está a acabar um curso técnico profissional de produção de moda em lisboa.

ap-hiphopgirls1.jpg

A bela faz fame. Começou a fazer lettring, como tag( criar uma base de letras e criar algo original e que poderá ser reconhecido por quem pásse, uma assinatura do autor).
Os da bela são abstractos, jogos de cores e espirros, uma técnica que usa e que lhe permite fazer um degrade de cores.
No início fazia wild style, mas começou à procura de um estilo próprio, mais gráfico. e há pouco tempo começou a experimentar rostos.
No verão fazem viagens para pintar, a bela e o wek.
Quer exercer a profissão, produção de moda e fazer graffiti.
ap-hiphopgirls2.jpg

A Crew tem um fotolog desde 2005. A front line crew cobre varias áreas de graffiti, fame, bombing. E o fotolog ajuda a divulgar esse trabalho, a ir mostrando o que os membros da crew fazem, uma mistura de old school e new school.
As mulheres e o movimento: a bela diz que há algum machismo, como no resto da sociedade, uns olhares de lado quando está a pintar no meio dos rapazes.
E ao contrário dos rapazes, elas tem mesmo de ser boas. Dizem-se coisas do género, ela foi ali pintar e tu não vais porquê? ap-hiphopgirls3.jpg

A ligação entre a musica e o graffiti: ouve rap e hip hop, mas pensa que não há uma ligaçao directa, ouvindo-se no meio do graffitti muito hard core também.
ap-hiphopgirls5.jpg

O wek diz-me, enquanto percorremos o muro que a câmara legalizou para a crew pintar: Tá ali uma boneca que ela tá a dar!!
No final da sessão no muro, uma vizinha, uma senhora com cerca de 70 anos, vem ter connosco, falar de como gosta de os ver ali a pintar aqueles muros, a dar cor a um horizonte que se não fosse pelas cores da bela e da crew seria cinzento , cheio de lixo e humidade.

ap-hiphopgirls6.jpgap-hiphopgirls7.jpg

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4 Comments

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  1. Anita, Anita… quantos blogues tens tu? Eu conto 5!

    Não baralhes a malta… que a malta confunde-se com facilidade!

    Escolhe lá um e desfia as tuas confusas, intrigantes e interessantes vivências….

    Já agora gostei bastante da irreverência desse rosa na paisagem industrial.

    Não percebo é porque a polícia não dá porrada em quem deixou os “elefantes brancos” na miséria e vetados ao abandono. Pelo menos há quem nunca os abandone…

  2. querido andré.
    no activo tenho dois blogs, este wordpress numa tentativa de ser uma fotógrafa séria e o fotolog que funciona para a verborreia diarística.
    os outros estão encerrados, acredita.

  3. está muito bonito o espaço ana!
    e recheado. de imagens e de informação.
    parabéns!
    … não parar de fazer [ou de tentar] para não “morrer”. é um bocado isso não é?
    beijinho*

  4. Estimada Anita, dá-nos o prazer de comentar as tuas verborreias diarísticas num blog com comentários livres, já que o fotolog agora passou-se…. 😡

    Siiiiiiimmmm? 😀

    Beijoca!

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