Jorge Vasques (1958- 2009)
September 10, 2009
pequenos ensaios
Decidi criar um novo espaço dentro do anapereira.wordpress, a que chamei pequenos ensaios, onde pretendo colocar alguns dos trabalhos teóricos que desenvolvo no âmbito do mestrado de fotografia e cinema documental.
Para já estes 4, sobre o mercado da fotografia; a vida e obra de Diane Arbus; a criação artística/documental que tem como base o arquivo, presente em Sob céus estranhos de Daniel Blaufuks e Kuxa Kanema de Margarida Cardoso.
E por último sobre o filme de Margarida Cardoso Natal 71.
Porque acredito muito no que José Gil afirma, é necessário inscrever, criar análise e discussão e logo partilha.

e a imagem? porque andei de volta dos arquivos e achei estas experiências bonitinhas.
September 8, 2009
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Diz-me de que cor se escreve o mundo atrás dos olhos que me vêem como sendo um novo e não o mesmo de todos os dias, desde que me lembro.
Queria acordar na magia que todos os dias tinham antes.
Antes de quê?
Antes destes dias que já sei a cor. Desde quando sei a cor dos dias?
O mar traz-me a tristeza dos outros, mas a água traz-me a paz do que não conheço mas adivinho com a sabedoria do peito que não tem palavras.
Quero palavras novas, quero sentir sem entender nada, quero viver sem tradução.
Quero andar, caminhar sem parar, mesmo quando estou deitada, parada, a caminhar pelos caminhos escritos nos livros que todos os meus irmãos antes de mim deixaram para me ajudar a seguir por este caminho.
Tenho medo, mas sou sempre mais infeliz quando a única veia que pulsa dentro dos meus olhos é que a me faz temer a luz da minha sombra.
A chaminé castanha recortada no céu azul, a senhora da t-shirt vermelha abre a porta também castanha incrustada com vidros brancos e transporta o lixo para o carro que é verde como as árvores e a natureza, como o homem é perverso na sua estranha construção do mundo.

No dia em que acordei nos capuchos nasci uma segunda vez.
Que se prolongou por muito tempo.
Como naquela manhã que parecia sem luz em que pelo meio das lágrimas eu fui para o único lugar possível, para a frente.

Tudo o que digo para dentro da minha boca a ver se chega pelo coração adentro é mentira.
O cérebro é uma mentira digo eu.
Eu só sei o que sinto, mesmo o que penso sinto.
Venha o Damásio que explica melhor.
Sinto o ar que circula dentro de mim, ao mesmo tempo mais animado e frenético que me põe sem vontade de mais nada do que aquilo que lhe anima a vida.
Quero-quero-preciso olhar pelas paredes adentro como se olhasse para dentro de mim e andar muito depressa a unir as palavras todas do mundo até chegar à ordem que vai soprando de dentro.
Quero lá saber do resto. A comida, os pratos, as certezas, os blockbusters, o mainstream.
Porque gosto do passado e esforço-me por fazer de conta que o futuro é só uma hipótese gramatical?
Porque o passado já está vivido, já tem resultados e análises, porque não é o que o futuro adivinha uma folha em branco, sem resultados nem análises, só miragens de precipícios ou de fortuna.
E o presente só me dá tempo para olhar para o passado e se o deixo desenrolar ao mesmo tempo que o vivo, perco o tempo para olhar para trás.
Como se pode viver o presente agora e olhar para trás?
E o futuro quando é?
Se for amanhã já é presente e em dois dias torna-se passado.
Então só gosto do passado porque tenho medo do futuro e oblitero o presente por estar mais perto do amanhã do que de ontem?
Acordo todas as noites quando elas estão no meio, na divisão entre o que foi e o que vai ser e olho para as duas partes e somos sempre duas, a que querer voltar para o dia que já foi e a de mim que quer começar um dia novo, com aquele tempo no início que de tão novo ainda é de amanhã.

September 5, 2009
o peso do beijo
o beijo é um bem-querer. entre amigos um adeus ou um olá. nos amantes, a paixão.
basium é como se diz em latim. o toque dos lábios em qualquer coisa, em alguém.
o beijo é tão antigo quanto homem. nos primitivos era para os deuses. nos gregos e romanos para toda a gente.
o beijo é química: 9 mg de água, 0,7 g de albumina, 0,18 g de substâncias orgânicas, 0,711 mg de gorduras e 0,45 mg de sais. e matemática: 29 músculos em movimento, 12 quilos de pressão, 3 sentidos em acção.
tudo é beijo. a ciência do beijo, o fobia do beijo, a doença do beijo, a academia do beijo, o dia mundial do beijo. o beijo devia mandar!
o beijo é uma arte. casablanca no cinema, romeu e julieta na literatura. 30 versões ilustradas no kamasutra.
o beijo é o sapo que vira príncipe! o beijo de língua, o beijo francês. mata o desejo, já dizia o poeta aleixo. é uma linguagem, um diálogo universal. e não se aprende, sabe-se.
o beijo pode ser um pesadelo. tem uma boca por trás. dentes podres, mau hálito e herpes. 250 vírus e bactérias, a gripe.
o beijo e-m-a-g-r-e-c-e! 12 a 15 calorias em 10 segundos. 400 em 5 minutos. é o beijo de olhos de don juan. ou o beijo de olhos fechados. o primeiro-beijo. a memória: sabe, sente e cheira para sempre.
um beijo dá-se em todas as línguas: bacci, beso, bisous kiss, kuss e Kuchizuke. e tem sotaque: beijoê no puarto, veijo em biána, bêjo no alentejo. em lisboa são treuze beijos encarnados.
a planta é o beijo-de-frade. o beijinho, um doce tradicional ou uma concha do mar. um beijo na mão é um gesto romântico. o beija-mão, um sinal de reverência.
o beijo é um acto ilícito. pode ser roubado. ou proibido. mas não acarreta prisão.
o beijo é partilha. um processo de transferência. um choque frontal. é infinito: 24 mil por pessoa na vida; 2 biliões de possibilidades na terra.
um beijo não se recusa. um beijo na face pede-se e dá-se!

hoje e amanhã no centro de memória em vila do conde
September 4, 2009
belle du jour

à espera de pagar a água

a vizinha que está sempre a trabalhar e os passarinhos

os pescadores de águas mistas

a maria

o restaurante chinês da póvoa

o geo no centro de memória
August 27, 2009
meu querido mês de agosto
em alcobaça, são martinho, vila do conde e gerês

O afonso no meu quarto, a tocar guitarra, com a pintura do pai atrás


o meu pai e a minha mãe na praia

as meninas em domingo de shopping

o chão da sala de casa dos meus pais

gualter a conversar e o joão a ir apanhar ervas aromáticas para o jantar

o joão

afonselas e a tia em loucura de água. fotografia da paulinha, sentada à sombrinha.

amolgadela na lente em café da póvoa
nos anos da Bárbara

a casa mágica

o geo com ar de banda de rock n’roll

as meninas no sofá

romeu, yann e ramiro

as velas da bárbara
a tela em viana

as rosas da vizinha

o rui da ao norte e o gigo ao fundo

o cinema e os livros






























