ando a trabalhar no meu site há alguns meses.
olhar para o arquivo, olhar para o passado, ver o caminho que fiz, as opções que fiz e em particular as que não fiz.
guia-me sempre o caminho pessoal que acompanha a razão das imagens e das escolhas.
não sou uma fotografa-driven, o que quero dizer com isto, é que aquilo que me conduz não é a carreira, não é o trabalho. foram os caminhos pessoais que fui traçando, alguns por decisão minha, outros porque assim o caminho se traçou.
as coisas acontecem sempre por acaso, entre uma coisa a outra.
a imprensa apareceu sempre por acaso.
a City, a primeira revista para onde trabalhei, através do contacto do Rui.
o Comércio do Porto, depois do livro dos Gift e numa estranha transição pessoal.
o teatro, o S.João e os livros por estar no sítio certo num momento certo.
e as outras revistas, os outros jornais, as companhias de teatro, sempre um acaso que nos leva a outro.
um trabalho que nos mostra a outro, a outras pessoas e caminhos.
dar aulas nas duas universidades.
importante nesta análise é o facto de que tenho dificuldade em manter as coisas comigo, porque tenho dificuldade em manter-me entusiasmada com elas.
rapidamente me cansam, analiso demasiado depressa os prós e os contras e num ápice me canso.
mas agora, por ter andado a olhar tanto para trás, por ter analisado e sintetizado o passado, penso obrigatoriamente para onde quero que vá o presente e naturalmente como gostaria que fosse o futuro.
lembro-me que quando sai do Comércio, oficialmente e diariamente, porque continuei a colaborar com o jornal durante mais 2 anos, fi-lo porque queria estudar mais e porque queria aprender a contar histórias e porque queria contá-las.
estudei, contei a história das filhas de Lilith, fui dar aulas depois,continuei a fotografar teatro, a colaborar com jornais, a fazer outros trabalhos. comecei a fazer os meus trabalhos pessoais, a mostrá-los.
engraçada esta divisão.
mas as histórias estão bloqueadas, e penso que o problema talvez seja andar a tentar encaixar-me num formato que não é o meu. e então, qual o meu?
talvez seja isso o presente agora, entender como são as minhas histórias.




