ana pereira

Carnet du bonheur

In Uncategorized on August 27, 2014 at 6:21 am

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Sábado, 9 da manhã.
Engano-me no horário, ainda é demasiado cedo.
Atravesso o cais à procura de um café decente.
As ruas estão cheias dos despojos da noite. E estão escuras.E pesadas.
Sim pesadas.
Penso como somos tão permeáveis ao exterior e frágeis. Sim frágeis.

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Adoro a zona entre a Mouraria e o Intendente.
Sinto-me em casa quando passo naquela rua de dentro, entre as línguas que não conheço.
Sim o último cabalista de Lisboa.
Sim, através do olhar do desconhecido, daquele que não conhece o quotidiano define-se.

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Não sei porque sou assim errante.
Não sei porque não aceito que o sou.
Não sei porque não tenho filhos e não sei porque não sei sequer se os quero.
Não sei porque pareço ter 20 anos na vida que tenho, quando de facto tenho 40.
Não sei como se age aos 40.

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Ele é belo.
Sempre que o vejo penso nisso:”Caramba como é belo!”
Havíamos de criar um livro juntos.

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“We only tasted the wine.”, did o Frank Sinatra por cima dos instrumentos.

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Anoto no caderno certo o que alguém me diz: “As pessoas só entendem as coisas, quando as peças vão a segunda vez à montra.”
Da mesma maneira como eu penso que só conseguimos ver o que conhecemos.

Carnet du bonheur

In cahiers du bonheur on July 13, 2014 at 9:15 am

écoute…

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Gostar de alguém a partir de determinada altura da caminhada, torna-se um assunto de grande seriedade.

Como se escreve no código dos samurais: “trata os assuntos pequenos com seriedade e os grandes com leveza…”

Caminho do Rossio ao Intendente pelas ruazinhas de dentro, gosto tanto, daquela vida de rua, tão antiga.

Para lá dos indicadores do tempo presente, é fácil ver o outro tempo.

É através do olhar desconhecido, que o quotidiano se define.

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écoute la palome…

Carnet

In comercial on June 27, 2014 at 9:04 am

AP-CB00 Sim, continuo a fotografar. Até mais do que antes, quando era fotógrafa todos os dias. Aliás, agora sim fotografo todos os dias, ao contrário de antes, quando era fotógrafa todos os dias. Ontem um amigo perguntou-me: “Então, tens procurado coisas na tua área ou estás conformada?” AP-CB01 Aquilo chega- me com a mesma intensidade das perguntas e análises da minha mãe. De facto, ver o que não me interessa não tenho mais vontade. Com isso conformei-me sim. Estas últimas semanas tenho pensado nas aulas. AP-CB02 Disso de facto sinto falta. De estudar e organizar a informação, da troca com os alunos, da energia que se cria e que se torna viciante. O resto, o resto é só ego. AP-CB03

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