ana pereira

Carnet du bonheur

In Uncategorized on October 31, 2014 at 7:59 am

Na boca reconheço se aquele amor é o meu.
Na boca do beijo.
No todo feito da textura, do volume, da pressão e força dos lábios.
Do sabor que a boca tem. Do cheiro, da energia da língua.
É a coisa que preciso saber e que é verdadeiramente desconhecida até se mostrar como a única possível.
Se o reconheço, ao amor no olhar primeiro, a unicidade sinto-a nas bocas em beijo.
A boca é também o instrumento de (des)entendimento de mim e do outro, na forma invisível das palavras.

23.11.13
Ana
AP-CB

Carnet du bonheur

In Uncategorized on October 26, 2014 at 9:22 am

Senhor Jorge e a primeira conversa da manhã com outro ser humano.

Troca de dicas para os meus/nossos almoços de domingo.

Caminho um pouco.

A rua hoje está particularmente podre.

Entro na estação de Martim Moniz.

Baixinho ouço “Remember Me”! Que coisa boa.

Interregno para as escritas sobre os livros da cabeceira.

O dia corre bem, tranquilo mas cheio.

Hoje é o dia de anos do João. Não tenho saldo para ligar.

Amanhã é domingo e é sempre bom o domingo!

Interregno dois para os livros de cabeceira.

Durante a manhã converso com o Farrukh sobre os caminhos académicos que fizemos e as rotas que percorremos até nos encontrarmos na creperie.

Ele pergunta-me o que eu quero para a frente.

Continuo a não saber.

Sinto aquele angústia cinzenta, depois passa.

Fiquei contente com C. hoje.

Fico a pensar que quanto mais responsabilidade sentimos pelas coisas, mais nos esforçamos para que corram bem.

Talvez seja uma regra a memorizar.

Não sei o que vou jantar.

Talvez compre fruta e legumes na frutaria da família chinesa e sumo na mercearia dos rapazes paquistaneses.

Estou sentada a escrever quando chega o primeiro metro.

Deixo-o ir embora sem mim.

Continuo a escrever.

São bons estes momentos que escrevo, entre coisas.

Parecem ser os únicos momentos em que o consigo fazer com verdadeiro prazer.

Lembro-me da outra história que o Farrukh me contou hoje, dum JW como ele diz, com quem costumava falar.

E que lhe tinha ligado há pouco tempo a contar que tinha decidido ir para outro país, porque tinha ficado a pensar se o Farrukh tinha conseguido vir de tão longe ele também ia conseguir ir conhecer outro sítio.

O que eu gostava mesmo de fazer Farrukh?

Esta coisa das palavras com imagens, amar e viver bem assim.

AP-CB

nos Anjos de Lisboa, 26 outubro 2014

Carnet du bonheur

In Uncategorized on October 24, 2014 at 9:23 am

Descubro o trabalho da Emília Tavares.

Escreve duma forma limpa, certa, honesta sobre fotografia.

Vou à procura. Encontro e fico contente.

Trago para as minhas viagens de metro o “Fotografia e Verdade“.

É de outra forma a escrita. Gosto muito, muito. Desde o “Fotografia e Narcisismo“.

Esta forma entre a poesia e a razão que gosto tanto.

Abro o livro entre estações. Leio. Páro.

Penso que a escrita sobre fotografía, a mais interessante, vem quase sempre dos universos da história e da filosofia, quase nunca da fotografia.

Hoje abano de dentro. O ouvido  e o cérebro precisam de beta-histina para o stacatto necessário.

Espera-me uma esplanada, cafés, sumos, sorrisos.

Às vezes sinto falta do silêncio.

fotografia

23.10.14

folhas quase sem imagens

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