ana pereira

Carnet du bonheur

In Uncategorized on September 9, 2014 at 6:56 am

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Vou ao centro de saúde com a minha irmã, depois do meu irmão ter-me tentado arranjar um médico de família.
Venho acometida pelos achaques de calor.
Sim, por agora da gripe.
Vejo entrar uma cara de que me lembro: “Está forte aquela miúda!”
Espero que olhe para mim para lhe dizer olá. Sempre achei aquela cara tão simpática.
Não olha para mim! Vejo que está grávida.

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Mais tarde, já lá dentro enquanto estou sentada com a minha irmã que fala com uma senhora, vejo chegar outra cara de que me lembro.
Fico a olhar longamente para elas.
Tento recordar-me desta última cara, no meio das imagens que tenho guardadas atrás dos olhos.
AP-CB05Lembro-me que sempre andou de saia esta miúda, sempre, todos os dias.
Aliás, é bastante semelhante a forma como se veste ainda. E que lhe fica muito bem, mais do que quando era miúda.
Nos seus traços particulares, é uma rapariga muito bonita e pela forma como se relaciona com os filhos e a amiga, tornou-se uma mulher bastante decidida e prática.

Sempre achei engraçada a forma como coloca os pés às 10h-pás-14h, da anca larga e das pernas grossas, numa estrutura magra.
Muito mais nova do que eu, vejo a forma como a maternidade lhe assenta bem. Como uma luva.

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Na sexta em que vim para Alcobaça, comprei no quiosque vintage (boa esta!) da rodoviária, um livro chamado futuro hoje amanhã.
Escrito nos anos 70, é sobre as tecnologias; da genética à robótica, passando pela energia nuclear e pelas viagens interestelares.

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Em determinada parte leio qualquer coisa como: “… no futuro, esse tempo algures entre o ano 2000 e depois- a exatidão temporal é minha e do livro – a humanidade não só deixará de precisar de trabalhar, assim como a continuidade genética, a descendência deixará de ser uma necessidade humana e logo, um objetivo de vida.”
O que me faz lembrar um texto que comecei a escrever para a menina dedo da Luena, que passei depois para o meu projeto Glorious Decay .

AP-CB03Já no carro com a minha irmã depois de não ter passado a triagem e não ter consulta, conversamos sobre as miúdas.

Recordamo-nos que eram da mesma religião da Celina- a amiga da mãe- razão pela qual usavam sempre o cabelo comprido e saias.

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Carnet du bonheur

In Uncategorized on September 3, 2014 at 8:45 pm

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O corpo está quente e húmido, do suor seco.

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A mente pára e vagueia em torno do que tornará completa a nossa matriz.

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Visualizo-me e penso porque é como é.

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O que falta ainda superar para chegar à forma mais eficiente.

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Não vejo ainda a resposta.

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Viver com alguém tem a estamina da memória de uma estrutura familiar.

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Uma proteção que permite a paz para fazer as coisas que realmente faz falta fazer.

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lisboa, alcobaça. julho, agosto e setembro. 2014

Carnet du bonheur

In Uncategorized on August 27, 2014 at 6:21 am

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Sábado, 9 da manhã.
Engano-me no horário, ainda é demasiado cedo.
Atravesso o cais à procura de um café decente.
As ruas estão cheias dos despojos da noite. E estão escuras.E pesadas.
Sim pesadas.
Penso como somos tão permeáveis ao exterior e frágeis. Sim frágeis.

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Adoro a zona entre a Mouraria e o Intendente.
Sinto-me em casa quando passo naquela rua de dentro, entre as línguas que não conheço.
Sim o último cabalista de Lisboa.
Sim, através do olhar do desconhecido, daquele que não conhece o quotidiano define-se.

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Não sei porque sou assim errante.
Não sei porque não aceito que o sou.
Não sei porque não tenho filhos e não sei porque não sei sequer se os quero.
Não sei porque pareço ter 20 anos na vida que tenho, quando de facto tenho 40.
Não sei como se age aos 40.

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Ele é belo.
Sempre que o vejo penso nisso:”Caramba como é belo!”
Havíamos de criar um livro juntos.

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“We only tasted the wine.”, did o Frank Sinatra por cima dos instrumentos.

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Anoto no caderno certo o que alguém me diz: “As pessoas só entendem as coisas, quando as peças vão a segunda vez à montra.”
Da mesma maneira como eu penso que só conseguimos ver o que conhecemos.

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